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MEO, NOS e Vodafone integram GSMA Open Gateway para promover um ecossistema digital seguro em Portugal

As operadoras nacionais juntaram-se à iniciativa global GSMA Open Gateway de forma ajudar a evitar fraudes digitais. O projecto, cuja apresentação aconteceu hoje em Lisboa, é uma oportunidade para o país já que aumenta a confiança digital e permite desenvolver API que podem ser usadas em quase todo o mundo.

© businessIT

A MEO, a NOS e a Vodafone anunciaram que estão a trabalhar em conjunto com a Nokia e a GSMA para disponibilizar API (Application Programming Interfaces) nas suas redes de forma a evitar as fraudes. Estas são cada vez mais comuns no País, conforme indicam dados do Banco de Portugal, segundo os quais a fraude digital é um dos principais riscos para os bancos, tendo registado um aumento de 45% no ano passado.

Na conferência de imprensa, Mark Cornall (director técnico da GSMA) fez um enquadramento da evolução da iniciativa global Open Gateway nos últimos quatro anos, que já abrange 87 grupos de operadores em mais de 300 redes. O responsável sublinhou que o objectivo principal é disponibilizar uma linguagem comum (padrão CAMARA) para que empresas globais utilizem exactamente a mesma API de protecção em qualquer país: «Actualmente, conseguimos proteger 2/3 das comunicações móveis com API comerciais de combate à fraude»

Mark Cornall explicou que o CAMARA é um projecto open-source da Linux Foundation que define um padrão técnico e uma linguagem comum para que as operadoras de telecomunicações exponham as capacidades das suas redes (como a validação de número, o combate à fraude, a localização ou o slicing 5G) exactamente da mesma forma em todo o mundo.

API contra a fraude
A directora de engenharia de redes da NOS, Judite Reis, explicou que as API são «pedidos que as aplicações fazem a rede e que podem ser perguntas ou instruções» e que permitem expor «um conjunto de características» que a rede tem. Sobre a importância da padronização, a responsável destacou a facilidade de utilização em qualquer parte do mundo versus API desenvolvidas por cada uma das operadoras em diversas linguagens e que obrigam a migração para o seu uso por terceiros.

Judite Reis apresentou as duas primeiras API antifraude no mercado português: a SIM Swap, que ajuda as empresas a detectar potenciais tentativas de apropriação de contas e de fraude, identificando quando um número de telemóvel foi recentemente associado a um novo cartão SIM; e a Number Verification, que permite que as empresas verifiquem as identidades dos clientes de forma mais segura e a reduzir o atrito nas jornadas digitais, permitindo uma autenticação mais rápida e segura.

Além disso, referiu que estas API apenas devolvem respostas de sim ou não, não acedendo aos dados dos utilizadores e mantendo a autonomia total de decisão no lado da aplicação, por exemplo, no caso de um banco que tenha de decidir se autoriza ou não uma operação.

Já Will McKay (head of sales, network APIs no Grupo Vodafone) explicou que o cibercrime e as perdas globais com fraude são já a «terceira maior economia do mundo» e referiu que «cerca de 70% dos portugueses foram alvo de tentativas de burla no último ano». O responsável falou da importância das redes móveis: «De todas as fontes de dados do ecossistema que um banco ou uma empresa analisa, os dados das operadoras de telecomunicações são dos mais valiosos e dos mais fiáveis. Na verdade, quando falamos de API, estamos a falar de sinais de confiança transmitidos em tempo real».

Por outro lado, Will McKay falou de resultados reais para os consumidores, clientes e para os bancos» que demonstram que esta iniciativa é algo «tangível».

Aumentar a confiança digital
Filipe Arnaut Mendonça, director sénior de negócios corporativos e empresariais da MEO, referiu que «os protocolos internacionais e a standardização permitem uma utilização potencialmente massiva» e que isso é bom Portugal. O responsável sublinhou que «o verdadeiro potencial destas API não está apenas na redução da fraude, mas na criação de uma verdadeira camada nacional de confiança digital e ainda por cima em cima, construída sobre infraestrutura móvel».

O director sénior de negócios corporativos e empresariais disse que, além de promover uma «identidade digital e de uma economia digital mais segura», a iniciativa é também uma «plataforma de inovação» porque Portugal passa a pertencer a um «ecossistema global com capacidades interoperáveis» o que vai «permitir às empresas e startups portuguesas desenvolver serviços que podem escalar internacionalmente».

Além disso, Filipe Arnaut Mendonça falou da próxima API, que deverá chegar ao mercado no início de 2027, a Number Recycle. Esta «verifica se o número de telemóvel foi atribuído a um novo utilizador desde uma determinada data».

O responsável conclui que estas API são formas complementares de autenticação «sem introduzir complexidade na experiência do utilizador» e que, no futuro, «poderão ser substitutos de alguns modelos de autenticação múltipla».

Mais inovação
Além do sector financeiro e da prevenção de fraudes, os representantes das operadoras sublinharam que as API e o 5G Standalone permitem às aplicações solicitar recursos específicos directamente à rede para sectores críticos da economia como a saúde, a defesa, os serviços de emergência e protecção civil, a indústria, entre outros. E garantem que isto não vai travar a inovação, mas sim aumentar já que é possível «monetizar as características da rede» e ter ofertas globais. É uma forma de «as operadoras conseguirem demonstrar as potencialidades da sua rede e pô-las ao serviço dos developers e das aplicações», esclareceu Judite Reis.

Will McKay acrescentou que origem das API está «em casos de utilização reais dos clientes» e ao resolver um determinado desafio, «uma operadora pode integrar a API nas normas CAMARA, partilhá-la abertamente com as outras operadoras para ter escala e, consequentemente, inovação».

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