Com o tema ‘Shaping the New Era, Now’, o evento anual da Mastercard reuniu 200 líderes empresariais, especialistas, parceiros e representantes de diferentes sectores para falar do futuro dos pagamentos e revelar o que está a desenvolver nessa área.
Na intervenção de abertura, Paulo Raposo (country manager da Mastercard em Portugal) salientou alguns marcos históricos da empresa já que, em 2026, a empresa comemora «60 anos» de actividade, «20 anos desde que tornou uma empresa pública» e ainda «25 anos em Portugal».
O responsável destacou o compromisso de longo prazo da organização de pagamentos com o ecossistema português através da criação do hub tecnológico inaugurado este ano: «Criamos o Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard. É um centro que representa fundamentalmente um compromisso de longo prazo que temos com Portugal, obviamente também com a Europa, e onde reunimos talento e que nos está a ajudar a desenhar aquilo que vai ser o ecossistema de pagamento, não só em Portugal, mas para o mundo».

O comércio agêntico
A inteligência artificial foi apontada por Paulo Raposo como o grande catalisador de mudança no sector, transformando a forma como o comércio e as transacções são efectuados: «Hoje já sabemos claramente que o mundo dos pagamentos vai ser bastante marcado pela emergência da inteligência artificial. E a inteligência artificial vai trazer um conjunto de novos desafios, vai-nos fazer repensar todo o processo como fazer comércio, com agentes a dialogar com agentes e a reengenharia de processos».
O country manager realçou que a confiança e a colaboração são pilares indispensáveis na nova era da IA: «Há uma coisa que é fundamental nesta adopção da inteligência artificial que é termos a capacidade de garantir sempre que, em todo momento, vamos ter controlo sobre o processo, vamos ter a possibilidade de rastrear as transacções e de confirmar que a intenção do cliente foi respeitada e de assegurar que as transacções se fazem com segurança. Os pagamentos fazem-se com confiança e fazem-se fundamentalmente com outra coisa que é a cooperação. Ninguém pense que ninguém vai conseguir sozinho alterar o ecossistema de pagamentos».
Além dos pagamentos
Outra prioridade estratégica identificada foi o crescimento e integração das stablecoins no ecossistema financeiro. Paulo Raposo assegurou que este é «um tema que vai tocar bancos, comerciantes, fintechs e fornecedores de infraestrutura, e os casos de uso que vamos ver inicialmente vão ser nos processos de transferências transfronteiriças, na liquidação, na tesouraria e naquilo que se chama o dinheiro programável». O responsável referiu ainda que «a segurança, a inteligência e a confiança são fundamentais» para uma «economia cada vez mais digital».
Por outro lado, referiu que os novos players «têm vindo a acelerar a forma como todo o comércio se está a fazer e obviamente isto eleva as expectativas» em termos de «simplicidade, rapidez e qualidade das transacções» e que a Mastercard está a apostar nessas áreas. Por fim, mencionou a importância de ir além do simples acto de pagamento através do lançamento da plataforma Priceless, focada em entregar experiências exclusivas e reforçar o valor da marca junto da comunidade.
A economia nacional
Oliver Clark, European economist no Mastercard Economics Institute, falou das tendências económicas e de consumo em Portugal. O responsável analisou o desempenho da economia portuguesa, o impacto da inteligência artificial no comportamento dos consumidores e mostrou dados de que os utilizadores de ferramentas de IA tendem a planear melhor e a fazer menos compras de última hora. Oliver Clark falou do País como «motor económico» em que destacou o forte crescimento do PIB e do consumo das famílias em Portugal desde 2021, superando a média da Zona Euro. Destacou também o crescimento dos serviços de alta produtividade, nomeadamente no sector das TI, informação e comunicação, que tiveram um «aumento de mais de 40%» nos últimos cinco anos.

Apesar do bom momento, Oliver Clark identificou a volatilidade e o aumento dos preços da energia (petróleo e gás natural) provocados por conflitos geopolíticos como o principal risco para os consumidores europeus e para a inflação: «Ao longo do último ano, verificámos que os preços do gás natural mais do que duplicaram. Isto tem consequências significativas para os consumidores na Europa». Ainda sobre Portugal, o economista disse que o mercado de trabalho é sólido, com o desemprego próximo de mínimos históricos e elevada procura de trabalhadores, algo que não se passa na Europa. Além disso, ao contrário de outros países europeus, os salários estão a crescer acima da inflação, aumentando o poder de compra das famílias.
Consumo e e-Commerce
Sobre o comportamento dos portugueses, Oliver Clark revelou que há um aumento de gastos em categorias premium, nomeadamente «em marcas de vestuário mais dispendiosas e na restauração», «menos viagens para fora da Europa» e menos compras de comércio electrónico em marketplaces chineses devido à legislação fiscal da União Europeia. Já sobre os horários preferências para fazer compras online, mostrou que os períodos de maior actividade são o nocturno e durante o fim de semana.
Questionado sobre se a IA poderia provocar desemprego no sector tecnológico em Portugal, o responsável mostrou-se confiante: «Parece mesmo que a IA está a impulsionar o empreendedorismo e a inovação, o que, em última análise, leva as empresas a criarem empregos. Por isso, continuo bastante optimista. Não creio que a IA venha a provocar um colapso na economia portuguesa num futuro próximo».
A importância da marca
Na sessão ‘The Power of Brand: Experiences and Value Creation for Customers’, conduzida por Beatrice Cornacchia (executive vice president marketing & communications Europe na Mastercard) e com a presença de Jill Kramer (CMO da Mastercard) ficou patente que a marca está a passar de um interveniente no sector dos pagamentos para uma plataforma que abrange dados, cibersegurança e comércio. A CMO salientou que, embora a empresa seja global, mantém uma abordagem local, adaptando o marketing a culturas e países específicos. A conversa explorou, ainda, como as alianças estratégicas globais, nomeadamente nas áreas da cultura e da tecnologia, podem contribuir para criar experiências relevantes e com valor para os consumidores, reforçando a ligação entre marcas e públicos.

Sobre a IA e o impacto dos LLM no marketing e comunicação, Jill Kramer explicou que a IA dá prioridade ao contexto e à intenção em detrimento da simples repetição de palavras-chave, o que exige que os profissionais de marketing tenham uma compreensão mais profunda e consistente da sua narrativa. Além disso, referiu que o uso da tecnologia aumenta a responsabilidade dos criadores, uma vez que cada peça de conteúdo pode reforçar ou prejudicar directamente a marca.
O futuro dos pagamentos
Na demo tour foi possível ver diversas soluções tecnológicas e inovações focadas no presente e no futuro dos pagamentos, das compras e da gestão de fraudes. Alberto López (head of fraud & financial crime products in Europe na Mastercard) mostrou uma plataforma de inteligência cibernética, desenvolvida em parceria com a Recorded Future, que analisa e categoriza ameaças externas (como ataques de ransomware) que podem afectar as empresas, que identifica comerciantes legítimos infectados por malware e comerciantes falsos criados exclusivamente para a prática de fraudes.

Outras ferramentas reveladas foram de rastreio de números de cartão colocados à venda na dark web, permitindo alertar os bancos emissores para cancelar e reemitir os cartões antes que a fraude ocorra e a CyberQuant, que avalia o nível de segurança de uma entidade estimando perdas financeiras potenciais e sugerindo medidas de remediação. Trata-se de um serviço já disponível em Portugal para empresas de várias dimensões, incluindo PME. Na área de fraude, o responsável mostrou uma solução para prevenir fraudes em tempo real que usa IA e faz análise em menos de 500 milissegundos.
Agentes no centro
No comércio agêntico, Susana Rubio (VP products and solutions lead da Mastercard) fez uma demonstração do Agent Pay, que já está disponível e foi apresentado na inauguração do Centro de Excelência para a Inovação há uns meses, e de um agente de disputas para gerir subscrições e compras que está a ser testado pela empresa.

No âmbito da personalização, a responsável referiu o One Credential, que permite que os consumidores tenham múltiplos métodos de pagamento para determinados intervalos de valores de acordo com as suas preferências; e da possibilidade de fazer subscrições de serviços e experiência directamente no cartão, como acesso a salas VIP de aeroportos.
Foi ainda possível ver soluções para PME, que permitem, por exemplo, a emissão de cartões virtuais com limites específicos para gestão de despesas dos colaboradores; uma ferramenta que identifica o momento ideal para tentar cobrar subscrições, evitando cancelamentos indevidos e o Tap to Send/Receive que permite enviar e receber dinheiro de um smartphone para um cartão.









