A Factorial apresentou, em Lisboa, o relatório ‘Business Facts Index 2026 – The Cost of Business Disconnection’, que analisa como as empresas europeias funcionam na realidade.
Feito com base em dados do uso das ferramentas da scaleup de origem espanhola e em inquéritos a 3750 líderes de empresas com 50 ou mais trabalhadores nos mercados de Espanha, Itália, Alemanha, França e Portugal, o estudo revela que 57,3% dos líderes nacionais gastam até 30% do seu tempo só a procurar informação dispersa entre diversas aplicações e departamentos. Isto corresponde a um custo de 327 mil euros por ano numa empresa de mil colaboradores. Numa organização com uma equipa de 500 pessoas, o valor corresponde a mais de 163 mil euros, enquanto numa empresa com 250 profissionais é de quase 82 mil euros anuais. Segundo Tiago Cunha, director de estratégia de partners da Factorial, este cálculo foi feito com base no número de horas perdidas reportadas pelos inquiridos e em dados oficiais do Eurostat sobre salários e estrutura da força de trabalho.
O responsável explicou durante a apresentação à imprensa que «o aumento do uso de tecnologia e do número de softwares, não quer dizer necessariamente que se traduza em processos mais eficientes. O que o estudo diz é que cria alguma tensão». É por isso que 73,2% dos líderes portugueses indica que perdem o foco por trocarem constantemente de aplicação e que 73,8% acredita que a empresa funcionaria melhor com menos ferramentas, ou seja, se tudo fosse mais centralizado.
IA ainda não ajuda no trabalho
A inteligência artificial é a área onde Portugal se revela mais optimista e 84,9% dos inquiridos espera que a IA altere a forma como a empresa opera nos próximos 12 meses. Este valor é o mais alto dos países analisados (Espanha 83,3%; Itália: 80,7%; Alemanha: 80,1%; França 77,1%). Além disso, 25,9 % dos líderes nacionais antecipa mesmo que a tecnologia traga uma transformação radical dos processos de trabalho. Mas a adopção de IA ainda não se está a traduzir numa redução da carga de trabalho. A verdade é que 71,3% afirma ter aumentado as expectativas de desempenho das suas equipas desde que começaram a trabalhar com IA, mas 66,4% indicam que a carga de trabalho se manteve ou aumentou.
Em Portugal, 25,4% dos inquiridos identificam a integração da IA em software que já utilizam e em que confiam como o principal factor para aumentarem a confiança em agentes de IA. Esta é a percentagem mais elevada dos cinco mercados. Mas, apesar do interesse em IA, o estudo mostra que a maturidade da adopção continua limitada e que apenas 4,8% das empresas portuguesas têm IA integrada em todas as operações, enquanto 36,4% continuam numa fase de exploração sem utilização diária. Segundo a Factorial, a utilização mais profunda das capacidades de IA do software para planeamento, análise ou apoio à decisão chega actualmente a apenas 17,2% das organizações portuguesas.
IA no centro da solução
Além do estudo, a tecnológica, que é uma das vinte scaleups mais valiosas da Europa, anunciou ainda um novo posicionamento. Tiago Cunha referiu que a maioria das pessoas ainda associa a Factorial a RH e esclareceu o que mudou: «Começámos com um software de recursos humanos e à medida que fomos trabalhando com cada vez mais empresas vimos que havia uma grande oportunidade de resolver mais dores que esses clientes tinham e expandimos para lá dos recursos humanos». O responsável acrescentou que essa transformação foi guiada por três componentes: pessoas, em que ajudam a contratar, no onboarding e a gerir o ciclo de vida do colaborador até sair da empresa»; recursos, em fazem o acompanhamento e controlo de custos operacionais, despesas e evolução salarial; e processos, em que ajudam a «melhorar a parte operacional das empresas».
O director de estratégia de partners indicou que «hoje em dia estão em três grandes áreas, que são recursos humanos, finanças e IT». A nova abordagem passa por serem «a IA para empresas que sabe, conecta e desbloqueia o potencial da sua empresa», em que «o agente tem o contexto da empresa, liga os dados que estão dispersos em diferentes ferramentas, centralizando tudo numa única plataforma» e «liberta as equipas para que as pessoas se possam focar no trabalho que cria mais valor», sublinhou Tiago Cunha. O responsável resumiu o novo posicionamento como «AI for business».
Crescer, crescer, crescer
Tiago Cunha revelou que a Factorial é uma empresa avaliada em mais de 2,5 mil milhões de dólares, tem mais de 17 mil empresas como clientes e mais de um milhão de utilizadores em mais de 60 mercados. Em termos de operação, a scaleup está presente em Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, México, Brasil, Polónia e Reino Unido.
Relativamente ao futuro, o responsável acredita que há «um potencial de crescimento enorme» já que «dentro do segmento em que operam, ou seja, empresas com mais de 20 colaboradores, apenas 10% usamuma solução como a da Factorial para gerir os processos».
Com 100 milhões de dólares de receita anual recorrente, o director de estratégia de Partners revelou que o objectivo é chegar a um bilião em 2030. Em Portugal, apesar de não ser possível indicar números concretos, o responsável avançou que «esperam crescer muito» já que «a base de clientes em Portugal nos últimos 3 anos triplicou». E assegurou que «estão a trabalhar com o objectivo de manter o ritmo de crescimento e também a investir» nesse sentido.
Por outro lado, Tiago Cunha referiu que a última ronda de investimento foi de 150 milhões de dólares e que a Factorial garantiu 500 milhões de dólares adicionais em financiamento focado em go-to-market e expansão (comercial e marketing) para acelerar o crescimento nos seus mercados estratégicos, como é o mercado do nacional.









