O relatório ‘The AI Datacenter Study – Part 1: The Global Build-out Race’, desta consultora, conclui que a capacidade global instalada de data centers deve quadruplicar, passando de 88 , em 2025, para até 340 GW em 2035. O estudo, que analisa a evolução da capacidade dos data centers, a procura de energia, a actividade de investimento e conta com entrevistas a 70 decisores europeus, prevê que as cargas de trabalho de IA nos data centers aumentem dos actuais 20 para quase 60% até 2035. Por outro lado, estima que a quota da Europa na capacidade global instalada de data centers diminua de aproximadamente 13 para cerca de 10% até 2030.
Pedro Galhardas, managing partner da Roland Berger Portugal, explica à businessIT que esta redução «é, acima de tudo, um sinal de perda de competitividade numa economia cada vez mais impulsionada pela inteligência artificial». Segundo o responsável, «a capacidade computacional está a tornar-se um activo estratégico e as regiões que lideram o investimento em infraestrutura digital vão estar mais bem posicionadas para captar inovação, talento e crescimento económico».
Sobre o impacto para as empresas europeias, Pedro Galhardas salienta que «poderá traduzir-se numa maior dependência de infraestruturas externas e numa menor capacidade de acompanhar o ritmo de desenvolvimento de soluções de IA. Mais do que uma questão tecnológica, trata-se de uma questão de soberania digital e de capacidade para capturar os benefícios económicos da próxima vaga de transformação digital».
Portugal pode ser excepção, mas …
O managing partner destaca que Portugal se encontra numa posição «particularmente interessante dentro do panorama europeu» e esclarece que o País «combina uma localização geográfica estratégica, uma forte aposta em energias renováveis e projectos de grande dimensão, como Sines, identificado no estudo como um dos mais relevantes actualmente em desenvolvimento na Europa». No entanto, deixa um alerta: «Os desafios identificados pelo estudo são igualmente relevantes para Portugal. O acesso à rede eléctrica, os processos de licenciamento e a disponibilidade energética serão factores decisivos para determinar a capacidade do País em converter o interesse dos investidores em projectos concretizados. A oportunidade existe, mas dependerá da rapidez com que estes obstáculos forem ultrapassados».
Assim, realça algumas medidas que devem ser adoptadas a nível europeu e nacional, para colmatar as lacunas existentes e que não passam apenas por «incentivos financeiros». É por isso que identifica que «as prioridades devem passar por acelerar o desenvolvimento da infraestrutura energética, simplificar os processos de licenciamento e criar um enquadramento regulatório mais previsível e favorável ao investimento». Isto porque, «num contexto em que a inteligência artificial será um dos principais motores de crescimento económico, a capacidade de construir infraestrutura digital de forma rápida e eficiente será um factor determinante para a competitividade europeia».









