Empreendedorismo

Mena.ai é a grande vencedora do START Rise AI Challenge

A iniciativa da Start Campus e da Porto Business School (PBS) teve a sua final nacional no AIhub, em Lisboa, onde as nove finalistas fizeram um pitch de cinco minutos. A Mena.ai foi a grande vencedora seguido da SNAP e da ResiliSite AI, em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

© Porto Business School

A Grande Final Nacional do START Rise AI Challenge, que decorreu hoje na AI Innovation Factory @ AIhub by Unicorn Factory Lisboa, onde os projectos finalistas tiveram a oportunidade de apresentar as suas soluções perante um painel de jurados composto por representantes de várias entidades do ecossistema tecnológico, empresarial e académico.

O programa tem como objectivo «identificar startups em Portugal que estão a desenvolver soluções baseadas em inteligência artificial» com potencial para escalar globalmente e ajudá-las a crescer e a ligarem-se ao ecossistema empreendedor nacional. As nove finalistas foram apuradas nas etapas regionais, realizadas no Porto, Faro e Lisboa.

A grande vencedora foi a Mena.ai que desenvolveu uma solução de gestão clínica com IA para psicólogos, que centraliza consultas, notas clínicas, facturação e apoio à decisão. Esta plataforma «tudo-em-um visa reduzir as horas gastas em trabalho administrativo» e inclui «um assistente clínico de IA» capaz de tirar notas, analisar o contexto clínico das sessões de forma estruturada e integrar dados recolhidos fora da sessão através de uma aplicação de acompanhamento para o paciente.

Esta startup ganha espaço dedicado no data center da Start Campus, em Sines, acesso aos benefícios do Microsoft for Startups, incluindo créditos Azure a partir de 100 mil dólares (cerca de 86 mil euros) e vai participar no Oxbridge AI Challenge, em Londres, no quarto trimestre de 2026. Além disso, cada co-fundador receberá ainda uma bolsa de 30% no valor da propina para um dos programas elegíveis da PBS: International MBA ou Master in Innovation Strategy and Entrepreneurship.

Manutenção remota e resiliência com IA
A segunda classificada foi a SNAP, que tem um sistema que permite dar assistência remota na área de field service e disponibiliza fluxos de trabalho baseado em IA para a manutenção e inspecção de turbinas eólicas. A plataforma permite que os técnicos se liguem a peritos remotos que podem ajudar e validar o trabalho em tempo real, «diminuindo erros e tempo de execução». Esta startup recebe um prémio da Schneider Electric no valor de 10 mil euros, que poderá ser utilizado em soluções, serviços de consultoria ou programas de formação da marca. Por outro lado, terá ainda acesso gratuito, durante um ano, à plataforma digital de formação MyLearningLink e, novamente, cada co-fundador elegível receberá também uma bolsa de 30% no valor da propina para PBS.

O terceiro lugar foi para a ResiliSite AI, uma ferramenta de IA que avalia riscos climáticos e geográficos a longo prazo para infraestruturas críticas, como data centers e grandes portos.

Esta combina «dados abertos e proprietários como de clima, água, rede eléctrica, imagens de satélite, etc, e num modelo de IA para identificar anomalias, realizar testes de stress e gerar recomendações estratégicas de investimento. A startup terá acesso a bolsas académicas atribuídas pela PBS com cada co-fundador elegível a beneficiar de uma bolsa de 50% no valor da propina para um dos programas elegíveis da escola.

Uma menção honrosa
A SpectrAll recebeu uma menção honrosa com um prémio de 10% + 30% de tuition scholarship da Porto Business School. Esta startup criou uma plataforma de agentes de IA que automatiza e garante a conformidade regulatória (como a NIS2) para operadores de infraestruturas críticas na União Europeia.

As restantes finalistas foram a DUA IA (um ecossistema integrado com IA para ajudar artistas, com um foco particular em talentos da periferia e dos mercados de língua portuguesa e crioula), a Invisible CFO (solução que substitui os contabilistas para PME), a Witflow (uma solução B2B de orquestração de marketing alimentada por IA que actua nos estágios iniciais das vendas ao identificar activamente sinais de compra e criar campanhas superpersonalizadas), a Kureus (um sistema operativo de IA para a indústria farmacêutica, focado em automatizar tarefas manuais ao longo de toda a cadeia de valor, do desenvolvimento à regulação e que conta com 13 agentes especializados) e a Aleph Strategy que criou o Nutcracker, um sistema de segurança para impedir que agentes de IA executem operações financeiras fora de parâmetros definidos). Estas startups terão acesso a uma bolsa de 10% no valor da propina, aplicável a qualquer programa da Porto Business School, para até dois co-fundadores elegíveis por empresa.

Robert Dunn, CEO da Start Campus, explica que o programa permitiu «confirmar a maturidade do ecossistema português de IA» e que «abrir o data center em Sines à startup vencedora é uma forma directa de dar a estas equipas o que mais precisam nesta fase: capacidade de escala».

Por seu lado, José Esteves, Dean da Porto Business School sublinha que estão «a colocar à disposição destas nove startups um pacote de bolsas no valor estimado até €108.000, aplicáveis ao International MBA e ao Master in Innovation Strategy and Entrepreneurship. Não é uma oferta simbólica, mas o reconhecimento de que o salto entre uma boa solução de IA e um negócio sustentável exige formação em gestão, estratégia e execução, e a Porto Business School quer estar nesse percurso».

Deixe um comentário