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Portugueses estão mais preocupados com a sustentabilidade na tecnologia

Um estudo revela que os consumidores nacionais estão a dar mais prioridade ao ambiente quando escolhem comprar equipamentos tecnológicos. Mais de metade vai apoiar a economia circular, em 2026, através da aquisição de dispositivos recondicionados, da reciclagem e da reparação dos produtos antigos.

Kilian Kaminski © Refurbed

O estudo realizado pela Appinio para a Refurbed mostra que, em Portugal, há uma crescente preocupação com a sustentabilidade e que as intenções dos consumidores em 2026 revelam essa tendência. Assim, 35% querem manter o telemóvel actual por mais um ano, «mesmo que esteja mais lento», 24,2% vão optar por um dispositivo recondicionado «para reduzir o lixo electrónico» e 15,8% querem «assegurar a entrega dos dispositivos antigos no local correcto para reciclagem». Por outro lado, 15,5% vai reparar o artigo avariado em vez de o substituir.

O relatório, que inquiriu mil participantes, destaca que apenas 9,7% dos participantes declararam que as suas decisões tecnológicas para este no não são influenciadas por preocupações ambientais. Kilian Kaminski, co-fundador da Refurbed, explica que «o estudo incluiu 130 inquiridos da Geração Z (18-24 anos) e 240 inquiridos da geração Baby Boomer (55-65 anos)» e que «esta representatividade significa que as tendências gerais identificadas são conclusões que já ponderam e reflectem as atitudes de um vasto espectro etário. A forte adesão a um consumo mais consciente, portanto, pode ser interpretada como um movimento transversal e abrangente no país, e não como um fenómeno isolado de uma geração».

O responsável salienta que «a dimensão da mudança na mentalidade do consumidor português» contraria a «ideia de que o mercado tecnológico é dominado pela procura incessante pelo “último grito”». A verdade é que os dados «mostram que apenas uma pequena minoria de 8,3% dos portugueses ainda prioriza ter o modelo mais recente a qualquer custo». Kilian Kaminski diz que os resultados revelam «uma rápida e profunda maturação do mercado nacional» e que a sustentabilidade e a economia circular não são apenas tendências de nicho, mas sim forças centrais que já moldam as decisões da maioria dos consumidores em Portugal».

Barreiras nos recondicionados
O co-fundador da empresa especializada em equipamentos recondicionados indica que, de acordo com a experiência que têm no mercado nacional, uma das principais barreiras para os consumidores não optarem por este tipo de dispositivos é «a falta de compreensão sobre o que distingue um produto recondicionado de um simplesmente em segunda mão». Esta falta de clareza alimenta um preconceito, que leva a que estes dispositivos sejam, por vezes, percepcionados como «usados» e, consequentemente, de menor qualidade ou fiabilidade. «É uma barreira que estamos a quebrar através da educação e transparência».

Em segundo lugar, Kilian Kaminski aponta «a cultura do ‘novo’» e avança dados do estudo realizado em Outubro de 2025: «A principal prioridade para 57,9% dos consumidores é encontrar um equilíbrio ideal entre um modelo recente e um bom preço. Isto demonstra que a novidade ou a posse do ‘último modelo’, continua a ser de grande importância na decisão de compra». Por último, o responsável aponta a «segurança».

Segundo o relatório, para «8,3% dos consumidores, a existência de uma “garantia e suporte alargados” é o factor decisivo» na compra. O co-fundador esclarece que «esta ansiedade é tão real que um outro inquérito que realizámos para o mercado português, em Abril de 2025, revelou que o principal receio para as pessoas guardarem o telemóvel antigo é o medo de que “o novo avarie” (28,4%)». É precisamente para eliminar esta insegurança que a proposta de valor da Refurbed assenta na oferta de uma garantia mínima de doze meses e um período de teste de trinta dias», conclui Kilian Kaminski.

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