A Adecco Portugal anunciou o Guia Salarial 2026 que revela que o valor do talento deixou de ser determinado apenas pela função ou pelo sector e passou a depender, cada vez mais, da capacidade dos profissionais em combinar competências técnicas, humanas, pensamento estratégico, literacia digital e adaptabilidade.
Segundo o estudo, os perfis mais valorizados «são polivalentes, capazes de operar entre tecnologia, pessoas e resultados, uma tendência transversal a áreas como IT, Finance, Indústria, Shared Services, Supply Chain ou Sales & Marketing».
Uma das grandes mudanças, face a anos anteriores, é o fim do modelo de compensação uniforme e a aposta em modelos de compensação e benefícios cada vez mais personalizados, ajustados às expectativas, fases de vida e motivações dos colaboradores.
O salário já não é o único factor na atracção e retenção do talento, com os profissionais a valorizar a progressão na carreira, a flexibilidade, o equilíbrio com a vida pessoal e o alinhamento com o propósito da organização.
Em termos salariais, Lisboa mantém-se como o principal pólo de remunerações mais elevadas, sobretudo em funções ligadas a tecnologia, banca, finance e liderança estratégica. Nas TI, os perfis altamente especializados continuam a liderar a tabela salarial: funções como Cloud Engineer, Data Engineer ou especialistas em ERP (SAP) podem ultrapassar os 100 mil euros anuais, «reflectindo a escassez de talento e a elevada exigência técnica associada a estas funções».
De acordo com o Guia Salarial 2026, o Porto continua a afirmar-se como uma localização relevante no contexto das operações internacionais e dos Shared Service Centres. Em estruturas de maior dimensão e responsabilidade global, funções de liderança nestes departamentos podem atingir valores superiores a 100 mil euros anuais, reflectindo não apenas a localização, mas sobretudo o âmbito internacional, a complexidade operacional e o impacto estratégico destas funções. Segundo a Adecco, esta «evolução acompanha a transformação dos centros de serviços partilhados de estruturas essencialmente operacionais para hubs estratégicos globais».
Outra tendência clara em 2026 é a crescente valorização do middle management, com uma forte procura por gestores intermédios capazes de fazer a ponte entre estratégia e execução, sobretudo em contextos de transformação digital, industrial e operacional.
Contrariamente à ideia de que a tecnologia substitui pessoas, o estudo mostra que a digitalização está a aumentar a exigência sobre o talento humano. A capacidade de usar dados, integrar inteligência artificial nos processos e tomar decisões informadas tornou-se transversal a praticamente todos os sectores, mas sempre acompanhada de competências humanas como pensamento crítico, comunicação e liderança.
Bernardo Samuel, Country Head of Permanent Recruitment da Adecco Portugal, explica que «o mercado deixou de recompensar apenas o conhecimento técnico ou a senioridade. O talento mais valorizado em 2026 é aquele que consegue transformar ambiguidade em planos de acção, tecnologia em valor acrescentado e estratégia em execução».









