O grupo Asseco é um conjunto de empresas tecnológicas que actua em mais de 60 países em todo o mundo e que chegou a Portugal em 2015 com a compra de uma empresa nacional com sede na Madeira. Hoje, a filial Asseco PST (Portuguese Speaking Territories), que é especializada no desenvolvimento de software para o sector financeiro, opera em Angola, Portugal, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Namíbia, Timor, Malta e Espanha, «tem mais de 600 colaboradores e um volume de negócios de cerca de 50 milhões de euros», explicou Daniel Araújo, CEO da Asseco PST.
No Asseco Group Product Review, o responsável salientou que a indústria está a mudar e hoje o foco está «na cloud, na IA, na regulação e nas criptomoedas», mas que na empresa, a estratégia continua a mesma, ou seja, «o cliente está sempre em primeiro lugar». Daniel Araújo referiu a fórmula para estar junto dos clientes é «a agilidade e a descentralização, ou seja, cada empresa do grupo «pode definir a melhor estratégia para dar resposta às necessidades dos clientes». O responsável disse ainda que os pilares da empresa passam pelo «negócio, a tecnologia, mas acima de tudo é sobre as pessoas» e que este é «o factor diferenciador do grupo».
O presidente do Conselho de Administração da Asseco Poland, Adam Góral, destacou igualmente que o «sucesso» vem das «pessoas» já que é «nas equipas e nos clientes que está o verdadeiro valor» do grupo. O responsável assegurou que estratégia é «continuar a construir de forma consistente um líder europeu no desenvolvimento de software», tendo destacado o projecto Asseco Cloud, a aposta na cibersegurança e na IA.
Um modelo diferenciador
Na apresentação ‘Federated leadership: powering people and capital in times of transformation’, Rafał Kozłowski (vice-presidente do Conselho de Administração da Asseco Poland) revelou que o grupo tem um modelo organizacional diferente do usual e que assenta numa federação de empresas. O responsável destacou que início a empresa «compreendeu que o verdadeiro valor no mercado de TI estava no software, o que não era óbvio na altura» e que enfrentou o desafio de competir com organizações «muito maiores em escala e muito mais fortes». Estes foram os motivos que levaram a ter um «modelo de federação» com «equipas locais fortes e muito próximas dos clientes». Rafał Kozłowski esclareceu que nesta forma de organização há duas dimensões: a «autonomia», em que cada país «decide a estratégia de mercado» e outra de «coerência» em que é decidido a nível central os «padrões financeiros, a alocação de capital, os principais líderes do grupo, as regras de conformidade de segurança e quando de faz a revisão dos negócios». O responsável deixou claro qual é a estratégia: «Não centralizamos as decisões. Centralizamos a transparência e os critérios com que julgamos as decisões».
Os benefícios da federação
Numa das mesas redondas do dia, diversos líderes da Asseco explicaram as vantagens do modelo do grupo. Artur Wiza, vice-presidente do Conselho de Administração da Asseco Poland, realçou que a «ideia de ser uma federação é serem bons cidadão dos países onde operam e pagar os impostos onde ganham dinheiro. Isto é algo muito importante». Já Piotr Jeleński, presidente do Conselho de Administração da Asseco South Eastern Europe, sublinhou que o modelo oferece «flexibilidade para se ajustarem às necessidades do mercado e dos clientes» e Daniel Araújo disse que num mundo federado é possível «adaptarem-se e reagirem para garantir que continuam a ser relevantes» e que o modelo «é também sobre partilha, sinergias e agilidade». Por outro lado, Jozef Klein, chairman da Asseco Central Europe, ressalvou que «para serem competitivos, têm de ser inovadores» e por isso «os gestores têm de ser empreendedores», mas que «a liberdade também equivale a responsabilidade». Por último, Rafał Kozłowski destacou o facto de o modelo seguido pela Asseco permitir «flexibilidade já que nem sempre uma solução one fits all é a ideal» e que o «sucesso da empresa é o sucesso dos clientes».

Um exemplo nacional
José Nunes, membro executivo do conselho de administração da Asseco PST, falou da solução Advanced Card Management (ACM) desenvolvida pela empresa. Esta começou «como um framework» e é hoje uma ferramenta «com uma arquitectura modular» que «gere todo o ciclo de vida dos cartões». O ACM é «abrangente» já que permite «todos os tipos de cartões», «flexível e personalizável», sendo utilizada «por mais de 14 bancos em mais de 10 países», salientou o responsável. Além disso, a solução suporta «pagamentos, transferências e crédito ao cliente» e tem capacidade para se integrar com processadores de pagamento e protocolos locais e globais e carteiras digitais. José Nunes falou do caso de sucesso da implementação do ACM no Atlântico Europa que permitiu ao banco, através de uma parceria com uma fintech, receber milhares de transacções, que representaram 60% das receitas do banco em 2020.
De Portugal para o mundo
A Asseco PST tem escritórios no Funchal, onde «se encontra essencialmente grande parte da equipe de desenvolvimento» e em Lisboa e Porto. A empresa funciona «quase como uma one-stop-shop para instituições financeiras no mercado de língua portuguesa», explicou, à businessIT, Daniel Araújo. Além dos PALOP, operam na Namíbia e Malta e o responsável explicou que tal se deve ao facto de alguns clientes terem aberto operações nessas geografias: «Como já trabalhavam connosco, acabaram por nos convidar a trabalhar com eles nesses países, em que tradicionalmente não operávamos».
O CEO revelou que a empresa tem «tudo o que um banco necessita para as suas operações, desde soluções que permitem a gestão de depósitos, contas, clientes, cartões até internet banking e mobile banking»; dando como exemplo de uma das soluções desenvolvidas, o M-Trader do Millennium BCP.
Daniel Araújo falou ainda da abrangência de mercado da Asseco PST: «Estamos presentes em 80% de bancos em Angola e 40% em Moçambique. Em Portugal, cerca de 30% das instituições têm o nosso core bancário, mas há muitas com que trabalhamos noutras áreas. Se contarmos com aquisição da Finantech, então trabalhamos com 80% dos bancos em Portugal».
Já ao nível da estratégia, o CEO disse que querem «continuar a servir e a trabalhar» com os actuais clientes, mas que há ambições de crescimento: «Estamos sempre à procura de oportunidades novas no mercado português. Pontualmente estas existem em soluções departamentais em podemos fazer a diferença, mas também por via do crescimento através de aquisições. Estamos sempre activamente à procura de empresas que possam, de alguma maneira, enriquecer o nosso portfólio e sejam complementares ao nosso negócio».









