Empreendedorismo

Unicorn Factory Lisboa: estratégia passa por hubs dedicados e sinergias com outros ecossistemas

Durante a Web Summit de 2025, falámos com Gil Azevedo, director executivo da Unicorn Factory Lisboa, que explicou os desafios que as startups enfrentam para escalar em Portugal e como entidade está a ajudá-las a dar esse salto.

Gil Azevedo © Unicorn Factory Lisboa

Gil Azevedo explicou à businessIT que há «3 desafios essenciais» no nosso mercado para as startups escalarem e chegarem a unicórnios. O primeiro é fácil de adivinhar e está ligado à dimensão do País como salientou o responsável: «Até é bom as startups começarem logo com este mindset de irem para fora, mas tipicamente se compararmos com as startups de mercados maiores, vão para fora mais cedo, numa fase ainda mais embrionária e não têm uma estrutura tão desenvolvida como uma startup de Espanha ou de Alemanha quando decidem ir para fora. Esgotam o mercado nacional mais rapidamente e vão com estruturas mais pequenas a dar este primeiro passo, o que é um desafio e que têm que rapidamente ser capazes de ultrapassar. Em segundo lugar, ainda há o desafio de financiamento quando falamos de rondas maiores, portanto o escalar para outros países necessita obviamente fundos já mais relevantes. Estamos a falar de rondas de investimento de pelo menos vários milhões de euros. E apesar de Portugal já ter alguns fundos de investimento com esta capacidade, ainda não tem a diversidade que outros mercados têm e até a Europa, também para a Europa isto é um problema. Comparando com os Estados Unidos, por exemplo, estes têm outra capacidade de investimento e financiamento».

Por último, Gil Azevedo explicou que o terceiro desafio é «o contexto europeu, em que cada país acaba a trabalhar de uma forma muito isolada». Desta forma, se «uma startup portuguesa quer ir para a Espanha, a língua muda, a regulação muda, os clientes mudam, os investidores mudam, as fontes de talento mudam, enquanto nos países maiores não é o caso, portanto há aqui uma inerente dificuldade quase recomeçar sempre que há uma expansão para um outro país europeu, quando nos Estados Unidos, por exemplo, é muito fácil expandir porque é tudo igual».

O papel da Fábrica de Unicórnios
Sobre a estratégia da Unicorn Factory para ajudar as startups a chegar a scaleups e evoluírem, Gil Azevedo explicou que existem «aqui dois grandes blocos de actuação». O primeiro são «os programas em que ajudam os empreendedores de uma fase muito inicial até à fase de expansão internacional» e segundo é a criação de comunidades relevantes em áreas de elevado crescimento e que Portugal possa beneficiar de ter escala».

Assim, nasceram os diversos hubs, o último dos quais inaugurado no último dia da Web Summit. O responsável sublinhou como funcionam: «Num hub conseguimos agregar todos os stakeholders ou intervenientes de uma determinada área e desta forma, ao juntar, ganhamos escala, ganhamos importância, criamos conteúdo, criamos conhecimento e conseguimos acelerar muito o crescimento dessa comunidade e essa comunidade passa a ser relevante a nível internacional. Dou sempre o exemplo do hub de gaming, que foi o primeiro que abrimos em 2023. Ninguém diria que, em Lisboa, tinha uma comunidade de gaming. Em dois meses, enchemos um espaço com dezenas de estúdios e uma comunidade de pessoas interessadas, freelancers, nómadas digitais e investidores. E de repente, em 2024, já foram as feiras internacionais, já tivemos aqui um dos maiores eventos para as equipas de liderança de estúdios de gaming internacionais e temos um grande evento internacional de gaming a acontecer anualmente em Portugal».

Além do gaming, há ainda o hub da sustentabilidade, Web3, IA e agora chegou um ligado à saúde. Sobre o AIhub, Gil Azevedo indicou que «hoje em dia é essencial qualquer startup ter IA e é por isso com esse hub conseguimos atrair a comunidade de startups, investidores, universidades, empresas, criar uma comunidade forte em Portugal e em Lisboa».

Criar sinergias
Já sobre o futuro, o director executivo revelou que é assente numa rede: «Em Portugal já temos uma dimensão muito relevante. Vão entrar este ano 300 startups nos nossos programas e hubs; mais metade das rondas de seed são de startups do nosso portfólio e 50% das nossas startups já são internacionais. O passo seguinte que vemos é conseguir que Portugal esteja ligado a outras geografias e que em conjunto possamos ser muito maiores. Não estarmos

limitados ao nosso espaço físico, mas fazermos parte de uma rede de inovação que vai muito mais para além das fronteiras. Já fizemos parcerias em Espanha, no Brasil, na Inglaterra e assinámos ontem com Hub71 de Abu Dhabi e também estamos em conversas com alguns operadores da Arábia Saudita. Agora é conseguimos aproveitar estas parcerias para criar programas e comunidades maiores e internacionais».

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