Empreendedorismo

Prevenção das fraudes financeiras e inovação continuam a ser os focos da Feedzai

Na primeira edição da businessIT, a Feedzai já era uma startup de sucesso e tinha chegado aos EUA. Muito mudou nestes oito anos: hoje, é único unicórnio com sede em Portugal e trabalha com algumas das maiores instituições financeiras, ajudando a proteger milhões de clientes em todo o mundo.

Nuno Sebastião © Feedzai

A Feedzai nasceu em 2008 e, quando a businessIT começou, em 2017, já tinha uma solução que protegia, diariamente, milhões de transacções. Em 2021, após uma ronda de duzentos milhões de dólares, tornou-se um unicórnio. Actualmente, é a única empresa deste tipo com sede em Portugal, nas instalações do Instituto Pedro Nunes, além de ser uma das mais importantes e reconhecidas empresas na área da prevenção de fraudes financeiras. Nuno Sebastião, co-fundador e CEO da Feedzai faz um balanço da actividade: «Começámos por ser três engenheiros – eu, o Paulo [Marques] e o Pedro [Bizarro] – acabados de trabalhar em satélites na Agência Espacial Europeia. Tivemos esta ideia: e se aplicássemos a mesma mentalidade utilizada para proteger os sistemas espaciais de missão crítica aos sistemas financeiros? Na altura, no nosso pequeno laboratório em Coimbra, a ideia parecia ambiciosa, talvez até um pouco louca. Hoje, passados estes anos, foi uma experiência fantástica. Passámos de uma pequena equipa fundadora para uma empresa global que trabalha com alguns dos maiores bancos do mundo».

Momentos e decisões marcantes
O responsável diz que tornar-se um unicórnio em 2021 foi um «grande momento,» mas é da escalada constante da empresa que mais se orgulha: levantando a Série D, integrando a biometria comportamental quando adquiriram a Revelock e agora, «trazendo a Demyst (comprada em 2025) para permitir recursos de orquestração de dados».

Nuno Sebastião dá alguns dados para se perceber a dimensão actual da Feedzai: «A nossa plataforma protege, agora, mais de oito biliões de dólares em pagamentos todos os anos e ajuda a manter seguros quase mil milhões de consumidores». Nuno Sebastião explica que, agora, tal como no início, a visão é mesma: «Tratar o crime financeiro como uma ameaça de missão crítica e construir a tecnologia que o pode parar em tempo real».

Já sobre qual a decisão estratégica que mais teve impacto, no sucesso do unicórno, nos últimos oito anos, o CEO não tem dúvidas de que foi a de se concentrarem na «inovação profunda e a longo prazo», em vez de ir «atrás do que estava na moda no momento». O CEO diz que este compromisso com a ciência de ponta «não mudou», já que a Feedzai investe «mais de 26% das receitas em I&D, registando patentes em áreas como a aprendizagem profunda e a análise de gráficos de transacções».

O que mudou na fraude
Nuno Sebastião realça que «em 2017, as maiores ameaças eram os cartões roubados e a fraude de estorno. Mas que, desde então, tudo mudou». O responsável sublinha que a pandemia «transformou o mundo para os pagamentos digitais»; com isto, «vieram as fraudes» mais pessoais em que se «enganam as pessoas directamente». Depois, as «criptomoedas também acrescentaram uma nova camada, especialmente para o branqueamento de capitais».

Por outro lado, a IA generativa mudou o panorama e, agora, os criminosos «podem facilmente usar a inteligência artificial para enganar pessoas e sistemas»; para Nuno Sebastião, é como um «jogo interminável de gato e rato, mas os riscos continuam a aumentar».

O CEO da Feedzai afirma que a resposta tem passado por conceber «sistemas mais inteligentes que não se limitam a reagir, mas que antecipam a fraude antes de acontecer», o que «significa pontuação de risco em tempo real, biometria comportamental e inteligência de rede que procura sinais que mais ninguém consegue ver». O objectivo é claro: «Queremos ajudar os sistemas financeiros a apanhar a fraude antes mesmo de esta tocar numa conta, porque o custo de estar um passo atrás é demasiado elevado».

Deixe um comentário