Entrevista

Plug and Play: «O nosso objectivo é capacitar os ecossistemas locais para prosperarem globalmente, independentemente da localização»

Entrevista a Beatriz San Martín, directora para Espanha e Portugal da Plug and Play.

© Plug and Play

A Plug and Play está a acelerar a inovação em todo o mundo ao permitir aos empreendedores ter alcance global e acesso a oportunidades de investimento e ao ecossistema empresarial. Beatriz San Martín, directora para Espanha e Portugal da plataforma originária de Silicon Valley, revela como estão a ajudar as startups nacionais a escalar.

A Plug and Play faz 20 anos. Podem fazer um balanço da vossa actividade ao longo destas duas décadas?

A Plug and Play teve início no Lucky Building, em Silicon Valley. O nosso fundador e CEO, Saeed Amidi, começou a apoiar empreendedores em fase inicial e a lançar as bases para o que viria a tornar-se uma plataforma global de inovação. O facto de ter feito parte desse período de formação de Silicon Valley posicionou a Plug and Play no centro de um momento transformador na tecnologia e no empreendedorismo.

Nos últimos 20 anos, a Plug and Play cresceu e passou a operar em mais de 60 locais em todo o mundo, trabalhando com mais de 550 parceiros corporativos e acelerando cerca de 2500 startups por ano. Através dos nossos programas de aceleração e fundos de investimento, apoiámos mais de 30 unicórnios em diversos sectores, incluindo nas áreas de fintech, IA, sustentabilidade, saúde, mobilidade e cadeia de abastecimento. O que começou num único edifício evoluiu para uma plataforma global que liga startups, empresas, governos, universidades e investidores para ajudar as tecnologias emergentes a escalarem.

Trabalham com startups e empresas e ajudam a fazer a ligação entre estes dois mundos. O que vos distingue de outras plataformas de inovação e aceleradores que existem no mercado?

O que distingue a Plug and Play é o facto de funcionarmos como uma plataforma de inovação que opera em mais de 25 sectores verticais, incluindo IA, fintech, sustentabilidade, saúde, mobilidade, cadeia de abastecimento e muito mais. Em cada vertical, reunimos startups, empresas, governos, universidades e investidores à volta de desafios empresariais definidos e oportunidades de implementação. Através dos nossos programas de aceleração e fundos de investimento, apoiamos provas de conceito, implementações de pilotos e relações comerciais de longo prazo.

Este modelo coordenado e focado em sectores permite que as tecnologias ultrapassem a fase de validação inicial e avancem para uma adopção sustentada em empresas estabelecidas e instituições públicas.

A IA é uma das grandes apostas do momento. Como vêm este ecossistema e a sua ligação à inovação aberta e colaborativa?

A IA representa uma das transformações mais profundas a que já assistimos, e é por isso que criámos Centros de Excelência em IA para consolidar esta próxima fase de inovação. Estes centros foram concebidos para reunir startups, grandes empresas, investigadores e líderes da administração pública, com o objectivo de acelerar a adopção da IA aplicada a todos os sectores. Em vez de nos concentrarmos na teoria, a ênfase recai na implementação concreta. Isto significa integrar a IA nos sistemas empresariais, nas operações e nos fluxos de trabalho de forma segura, escalável e comercialmente viável.

Ao posicionar estes centros no nosso ecossistema mais alargado, estamos a reforçar a ideia de que a inovação é mais poderosa quando é aberta e colaborativa. A IA avança mais rapidamente quando startups, empresas, universidades e governos trabalham lado a lado para testar, aperfeiçoar e escalar soluções em conjunto.

Que oportunidades existem nos ecossistemas de empreendedorismo e inovação do sul da Europa, nomeadamente Portugal e que condições consideram essenciais para que mais startups nacionais possam escalar e vingar num mundo tão competitivo?

O Sul da Europa, e Portugal em particular, está a emergir como uma das regiões mais dinâmicas em termos de empreendedorismo e inovação na Europa. Nos últimos anos, temos assistido a uma forte combinação de talento, criatividade e colaboração público-privada que tem impulsionado o crescimento de novos empreendimentos. A abertura de Portugal a parcerias internacionais, a sua estrutura competitiva de custos e a sua mão-de-obra altamente qualificada tornam o país um testbed ideal para soluções inovadoras e uma porta de entrada natural para as startups que pretendem expandir-se para os mercados europeus e globais.

Para permitir que mais startups nacionais cresçam e tenham sucesso, é essencial reforçar algumas condições: acesso sustentado a capital ao longo das diferentes fases de crescimento; envolvimento empresarial que acelere a comercialização; e frameworks regulamentares favoráveis que incentivem a experimentação e a colaboração transfronteiriça. Construir visibilidade internacional e o aprofundamento das ligações entre os ecossistemas locais, desde Lisboa e o Porto até aos centros de inovação mais amplos do Sul da Europa, também desempenharão um papel crucial.

Na Plug and Play, acreditamos que o potencial da região reside na sua mentalidade empreendedora e na sua capacidade de inovar em sectores como a sustentabilidade, a mobilidade e a transformação digital. Ao ligar as startups portuguesas à nossa rede global de parceiros, investidores e mentores, pretendemos ajudar a transformar a inovação local em histórias de sucesso globais.

Apesar de não terem escritório em Portugal, estão envolvidos em iniciativas no país. Como é podem ajudar as startups e organizações nacionais?

A Plug and Play está profundamente envolvida no panorama da inovação em Portugal através de parcerias, programas de aceleração e iniciativas transfronteiriças, incluindo com a Startup Portugal. O nosso modelo foi concebido para ligar ecossistemas, em vez de se limitar a fronteiras geográficas. Levamos alcance global, ligações corporativas e oportunidades de investimento directamente aos fundadores e organizações locais.

Ajudamos as startups portuguesas a validar as suas tecnologias, a aceder a mercados internacionais e a ganhar visibilidade junto de investidores e empresas da nossa rede global. Ao mesmo tempo, apoiamos organizações locais, públicas e privadas, na concepção de programas de inovação aberta que atraiam e retenham talento, posicionando Portugal como um forte pólo de inovação no sul da Europa. O nosso objectivo é capacitar os ecossistemas locais para prosperarem globalmente, independentemente da localização.

Foram um dos promotores do Scale Up Now. Que resultados esperam que as startups envolvidas alcancem depois do período de incubação que vão proporcionar nos EUA?

Através do programa GOAL, esperamos que as startups participantes adquiram uma compreensão prática do mercado norte-americano, ao interagirem directamente com o ecossistema de inovação de Silicon Valley. Durante o programa, os fundadores trabalham em estreita colaboração com mentores experientes, investidores e especialistas sectoriais, ao mesmo tempo que recebem feedback da nossa equipa internacional e dos nossos parceiros corporativos. Em média, as startups têm mais de 10 reuniões específicas com especialistas relevantes e potenciais parceiros. Embora as seis semanas em Silicon Valley sejam apenas o ponto de partida, o objectivo é alargar as perspectivas dos fundadores, validar as suas soluções e ajudá-los a construir relações que apoiem o seu crescimento global a longo prazo.

Quais são as vossas perspectivas para o futuro?

Ao celebrarmos os nossos 20 anos, este ano é simultaneamente um momento de reflexão e um catalisador para o que está por vir. Ao longo das últimas duas décadas, construímos uma plataforma global de inovação que liga startups a grandes empresas, governos, universidades e investidores em todos os sectores e regiões. Essa base permite-nos avançar mais rapidamente e pensar em grande sobre o rumo que a inovação está a tomar.

Olhando para o futuro, a nossa ambição é continuar a expandir a nossa presença global, aprofundar a nossa especialização sectorial em áreas como IA, fintech e saúde, e reforçar os percursos que permitem que as tecnologias passem da investigação para a implementação no mundo real. O nosso objectivo permanece o mesmo. Pretendemos ampliar a inovação de forma a criar valor a longo prazo para os nossos parceiros e um impacto significativo em todos os sectores.

 

 

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