O relatório feito pelo ManpowerGroup, em parceria com a Associação Portuguesa de Logística (APLOG), revela que a transformação digital surge no topo das agendas dos líderes do sector, com quase 60% a indicá-la como muito relevante e 35% a considerarem-na relevante. A aposta na formação e desenvolvimento do talento (55%) e a segurança e cibersegurança (50%) fecham o top 3 das prioridades. O estudo indica ainda que os principais desafios na gestão do talento são a escassez de profissionais, referida por 98% como relevante ou muito relevante, seguida da retenção (fidelização) e da actualização de competências (digitalização), referidas por cerca de 95% dos inquiridos. Apesar de tudo, mais de metade dos empregadores (57%) planeia aumentar as suas equipas no próximo ano, sendo que os perfis mais procurados terão como um dos focos a área operacional e a transformação digital, nomeadamente com competências de business intelligence e data analytics, cujas intenções de contratação passaram de 7%, em 2023, para 29%, assim como os perfis de cibersegurança, com 14%.
Formação deve ser aposta
Entre as estratégias para colmatar a falta de talento está o aumento de salários e de acções de upskilling e reskilling (ambos com 38%), sendo que as organizações nacionais estão em diferentes fases quando se trata destes programas de aumento de competências e requalificação profissional. O ManpowerGroup indica que, com base na sua «experiência e nas interacções mantidas com os clientes e parceiros», vê investimento das empresas na formação e capacitação dos seus colaboradores, impulsionado pelos processos de automação e de transformação digital. Pedro Amorim refere que, «neste âmbito, as grandes empresas revelam, em geral, um nível de maturidade mais avançado neste domínio, enquanto as empresas de menor dimensão continuam a enfrentar alguns constrangimentos ao nível de recursos, tempo e acesso a programas de formação ajustados às suas necessidades».
IA ainda é marginal
Outra das formas que as empresas querem usar para combater a escassez de mão-de-obra qualificada é a IA e automação, que, com apenas 15% dos inquiridos a indicar este eixo, está ainda numa fase inicial. Pedro Amorim, corporate sales director do ManpowerGroup, explica que «existem ainda barreiras claras na adopção de IA, que exigem tempo para serem ultrapassadas».
O responsável acrescenta que, segundo dados do grupo, «os empregadores portugueses destacam como principais obstáculos a preocupação com a privacidade e regulação (34%), o elevado custo de investimento (33%), a resistência à mudança (31%) e a falta de competências em IA (28%)». Esta mesma realidade é visível igualmente no estudo realizado pelo ManpowerGroup e pela APLOG, com 95% das empresas do sector a referir a actualização de competências face à digitalização como um dos principais desafios de talento. Ainda assim, o corporate sales director indica que «é previsível que a adopção aumente rapidamente, com 67% das organizações, globalmente, a planear investir mais em IA em 2025» e que «67% dos empregadores nacionais antecipam uma alteração moderada a elevada nas funções de operações e logística, fruto da automação».
É por isso que, quando se fala de inteligência artificial, a aposta das organizações no reforço das suas estruturas para capitalizarem os benefícios desta tecnologia passa por, num futuro próximo, recrutar profissionais de data analytics (61%), business intelligence (59%), inteligência artificial e machine learning (49%), bem como profissionais com competências em internet of things (IoT) e data tracking (35%) e cibersegurança (29%). Além disso, de acordo com o estudo, 81% dos empregadores do sector da logística e transportes acreditam que a IA e as novas tecnologias vão transformar os perfis profissionais. Assim, 9% indica que esta transformação vai conduzir à destruição de emprego e um número idêntico considera que irá promover a criação de novos cargos.
Sustentabilidade na cauda
O «impacto da sustentabilidade ambiental no sector, que, apesar de ser significativo, ocupa ainda um espaço limitado nas prioridades das empresas», realça o responsável. Pedro Amorim considera que «a eficiência ambiental no sector da logística e transportes pode ser amplamente melhorada e será seguramente um factor de transformação das organizações». De acordo com os resultados do estudo, «apenas 35% das empresas deste sector avalia as questões relacionadas com a sustentabilidade e logística verde como muito relevantes. Do mesmo modo, só 19% encaram este factor como uma prioridade muito importante para o desenvolvimento futuro».
Assim, «consequentemente, a actualização de competências face à transição energética e sustentabilidade ambiental é ainda pouco mencionada, com apenas 17% a considerá-la muito relevante» e «só 10% das empresas referiram a área da qualidade e ambiente como uma área de contratação prioritária para 2026», acrescenta o responsável. No entanto, Pedro Amorim acredita que as questões ambientais «deverão continuar a definir as agendas e estratégias de futuro das empresas da logística e dos transportes, impulsionando a sua crescente sustentabilidade e eficiência».









