No Centro Cultural de Belém, Thomas Meyer, general manager e group vice president EMEA research da IDC, revelou que, «até 2030, a IA vai ter um impacto económico acumulado global de mais de 19 biliões de euros, que na EMEA se traduz em cerca de 4,8 biliões». O responsável destacou que, no ano passado, na região, as «despesas com a inteligência artificial atingiram quase 48 mil milhões de euros, dos quais 16% foram em IA generativa», e que «devem crescer 35%, este ano».
Thomas Meyer fez um balanço dos últimos trinta anos de tecnologia em que durante a pandemia e nos últimos anos, «as despesas com TI cresceram muito mais rápido do que o PIB, «algo que deverá continuar a acontecer até 2027». Assim, «independentemente do que aconteça a nível económico, as organizações continuam a gastar dinheiro no digital e em IA».
A consultora indica que as despesas com IA vão crescer a um ritmo duas vezes superior ao das despesas globais com tecnologia digital, gerando um impacto económico global superior a 7,6 mil milhões de dólares até ao final de 2027. Gabriel Coimbra, group vice president e country manager da IDC Portugal, destacou que, a nível nacional, se prevê «o mesmo investimento em 2025 que em todo o mundo», ou seja, «um aumento de cerca de 6 a 7% para este ano, chegando aos 8% dentro de três anos». Este foi único dado para o mercado português avançado no evento.
Amplificar os humanos
Thomas Meyer, salientou também rapidez com que a IA vai acelerar o desempenho das organizações já que 2027, as empresas que tenham «plataformas de IA unificadas, vão aumentar a sua escalabilidade e diferenciação, o que vai impulsionar o crescimento de receitas em duas vezes». Por outro lado, avançou que «até 2026, 30% das grandes empresas da EMEA vão triplicar a sua taxa de conversão e reduzir o tempo do retorno do investimento (ROI) para menos de um ano passando da IA departamental para aplicações de IA escaláveis e multifuncionais». O responsável falou ainda da nova era dos agentes de IA «para resolver problemas de negócios» e das «implicações que isso terá na forma como se trabalha», sendo preciso pensar na «aprendizagem contínua» dos colaboradores.
Bruno Horta Soares, executive senior advisor da IDC Portugal, referiu que a «automação não devia ser de tarefas, mas sim dos processos» porque «quando se trata de automatizar, trata-se de tomar decisões». Assim, o que é suposto ser automatizado são as «decisões que os humanos estão a tomar»; por isso, «não se trata de substituir, mas de ampliar as competências dos humanos» e, na sequência disso, haver um aumento de «importância» da soft skill da «capacidade de aprender» para ocupar «novas funções». No final, Bruno Horta Soares assegurou, que nos próximos cinco anos, a IA «não vai substituir os humanos, apenas substituir algumas decisões» e alertou que investir em «IA sem ter as bases da transformação digital é um risco» e que é «fundamental incorporar a IA num orçamento de TI mais alargado».