Reportagem

UiPath quer colocar RPA na “agenda” dos executivos

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A UiPath reuniu em Madrid cerca de trezentos profissionais, entre clientes e parceiros, para aprofundar as vantagens oferecidas às empresas pela automação de processos através da robótica (RPA, Robotic Process Automation).

A automação de processos através da robótica (RPA, Robotic Process Automation) foi apresentada em Madrid pela UiPath como uma das chaves para enfrentar a transformação digital e, como apontou Frank Lopez, vice-presidente para a Europa do Sul desta empresa unicórnio, «o caminho para alcançar a inteligência artificial».

A UiPath, que passou de um milhão para cem milhões de receita anual em menos de 21 meses, tornou-se oficialmente uma das empresas de software de negócios que mais cresceu na história.

Até ao final de 2019, a empresa com presença ibérica, espera um crescimento de 50%, consolidando a sua presença em organizações líderes em sectores como o bancário e o segurador, por exemplo. «O mercado ibérico é muito importante e há muita procura para desenvolver o RPA», explicou Franck Lopez.

Durante o evento, os diferentes palestrantes, alguns deles actuais clientes da UiPath de Espanha e Portugal, como Orange, Mapfre ou EDP, apresentaram as vantagens da RPA, sobretudo apresentando-a como uma tecnologia que permite a configuração de robots de software responsáveis ​​pela execução de algumas das tarefas de negócio. Tarefas essas que, até ao momento, eram feitas por funcionários e que, sendo repetitivas e baseadas em regras, podem ser automatizadas, libertando o tempo do colaborador para funções mais valiosas.

Basicamente, os robots (bots) capturam dados e gerem aplicações tal como os humanos. São capazes de interpretar, gerar respostas e comunicar com outros sistemas de modo a executar uma variedade de tarefas rotineiras, desde inserir pedidos, gerir facturas ou ler e processar dados estruturados e não estruturados.

Não retiramos emprego
«Não criamos desemprego, o que fazemos é retirar actividades rotineiras e mundanas às empresas. Dessa forma, podem ser muito mais eficientes e aumentar a felicidade dos funcionários», afirmou Franck Lopez.

O evento teve como objectivo, sobretudo, demonstrar a economia de tempo e dinheiro para as empresas que utilizam estes robots que podem trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, mas também a melhoria para as organizações em termos de eficiência e satisfação dos funcionários e clientes, pois os tempos de processamento são, segundo vários testemunhos, reduzidos em até 80% e o esforço manual exigido em quase 95%.

O próprio Franck Lopez insistiu na sua apresentação no compromisso da startup em acelerar os resultados reais da inteligência artificial através da automação robótica de processos para organizações de todos as dimensões, bem como a democratização dessa tecnologia seguindo uma política de código aberto.

Vocacionado para indústrias reguladas
Em conferência de imprensa (o primeiro encontro com jornalistas realizado na península ibérica) Franck Lopez explicou que, embora o RPA tenha começado em sectores tradicionais como o bancário e segurador – em Portugal, por exemplo, a Ageas, a Ocidental e a Fidelidade são clientes UiPath, assim como o Novo Banco ou o Banco Big – esta tecnologia faz sentido e «é importante em todas as indústrias reguladas, como retalho, distribuição ou serviços».

O responsável pelo negócio do Sul da Europa explicou que a Robotic Process Automation é uma tecnologia que retira todo o trabalho manual que não tem valor acrescentado, aumentando assim a produtividade de trabalho do utilizador, assim como diminui a percentagem de erro. «Isto para além de conferir aos processos uma enorme velocidade. A Orange, por exemplo, aplica RPA em praticamente todas as unidades de negócio, desde finanças, compras ou recursos humanos. Na verdade, todos os dias os nossos clientes encontram novos casos de uso dentro das suas empresas».

Franck Lopez disse ainda que esta é uma iniciativa que tem uma grande visibilidade ao nível executivo, já que permite elevados níveis de poupança. Dando o exemplo da EDP, o responsável divulgou que a empresa portuguesa implementou 220 processos de RPA em cerca de um ano e meio.

O negócio é feito sobretudo através dos cerca de 120 parceiros, onde se incluem marcas como a Deloitte, PwC, EY, KPMG ou Capgemini. Franck Lopez esclareceu que, apesar de trabalharem com os «grandes», «os mais pequenos e mais focados no mercado são igualmente muito importantes para o negócio».

UiPath conquista nove novos clientes por dia
A UiPath foi criada em 2015 a partir da fundação da empresa romena de outsourcing de software DeskOver, com dez anos, fundada em Bucareste por Daniel Dines e Marius Tirca. Após o financiamento “semente” foi seguido um financiamento da série A: um financiamento de trinta milhões de dólares em Abril de 2017, e em Março de 2018 um financiamento série B, em que Uipath levantou 153 milhões de dólares para se tornar uma empresa unicórnio, com uma valorização de 1100 milhões de dólares.

Ambas as rodadas foram lideradas pela Accel e tiveram a participação dos primeiros investidores. O financiamento de 2018 também foi apoiado pelos co-contribuintes CapitalG (ex-Google Capital) e Kleiner Perkins Caufield & Byers. Em Setembro de 2018, a UiPath arrecadou 225 milhões de dólares numa rodada de financiamento de série C, co-liderada pelo investidor existente, a CapitalG, e pelo novo investidor, a Sequoia Capital.

A empresa conta com mais de 2000 clientes a nível global e está a adicionar uma média de nove novos clientes empresariais por dia, tendo registado um crescimento da receita recorrente anual no final de 2018 quatro vezes superior à do final de 2017.

As operações da Uipath em Portugal e Espanha em colaboração com parceiros integradores, estão já a contribuir significativamente para os resultados da região com clientes como a Orange e a EDP. Para além das instalações em Madrid, Madrid e Lisboa, a UiPath tem novos escritórios em Amsterdão, Austin, Cluj, Dubai, Houston, Mumbai, Munique, Paris, Seul, Singapura, Washington D.C. Actualmente, conta com quatro equipas de desenvolvimento de produto em Bucarest (Roménia), Bangalore (India), Bellevue (EUA) e Cluj Napoca (Roménia).

Susana Marvão
Jornalista especializada em TIC desde 2000, é fã incondicional de todo o tipo de super-heróis e da saga Star Wars. É apaixonada pelo impacto que as tecnologias têm nas empresas.