Reportagem

Alibaba quer ajudar as empresas portuguesas a chegar à China

O Alibaba Group organizou a sua primeira conferência oficial em Portugal onde aliciou as empresas nacionais a irem para a China para aproveitarem todas as potencialidades do mercado chinês.

Depois de cinco séculos de o primeiro português ter chegado à China, é a vez de o grupo chinês Alibaba chegar em força ao País. Na primeira conferência oficial, que contou com o apoio da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e do Millennium BCP, foram muitas as novidades, mas o principal destaque foi para o sector do comércio electrónico. Sob o mote ‘A Porta de Entrada para as Empresas Portuguesas na China: E-Commerce, Tecnologia e Inovação’, a empresa chinesa reuniu mais de trezentos empresários no Museu do Oriente, em Lisboa, onde demonstrou todas as vantagens que podem ter ao fazerem negócio na China.

Um verdadeiro ecossistema 

Terry von Bibra, director-geral para a Europa do Alibaba Group, partilhou alguns números sobre a China, como por exemplo o facto de o país ter «802 milhões de utilizadores de Internet». O responsável referiu ainda que a classe média chinesa corresponde a «trezentos milhões de cidadãos» e que em «três anos» este valor «deve duplicar», sendo estes os «compradores de artigos online».

Em relação à Alibaba, o ecossistema dos sites do grupo tem 601 milhões de utilizadores anuais que gastam cerca de 677 mil milhões de euros. Outra característica interessente, indicou o executivo, é que «90% das compras são feitas via dispositivos móveis».

«A Alibaba começou como um marketplace B2C» mas é hoje uma multinacional que tem trinta plataformas, entre elas a Tmall, a Tmall Global, a Taobao, a Aliexpress ligadas ao e-commerce; a Fliggy, virada para o turismo; a Alipay de pagamentos; a Alibaba Cloud, um fornecedor de serviços na nuvem ou até mesmo redes sociais como a Youku e a Weibo, uma espécie de YouTube e Twitter chinês.

Mas Terry von Briba foi peremptório em afirmar que, apesar da disparidade de serviços e áreas de actuação das empresas do grupo criado por Jack Ma tem, todas partilham a mesma missão: «Ligar os vendedores aos consumidores» e «fazer com que seja mais fácil fazer negócios em qualquer lugar».

Oportunidade para as empresas portuguesas 

A tarefa de entrar no mercado chinês não é fácil e Rodrigo Cipriani Foresio, director-geral do Alibaba para Itália, Espanha, Portugal e Grécia deixou o aviso: «Não é fácil juntarem-se à Alibaba. É preciso ter um plano de negócios, conhecer o mercado e ter o parceiro certo na China».

Alba Ruiz Laigle, gestora de desenvolvimento comercial de Portugal e Espanha do Alibaba Group, explicou quais os sites disponíveis para as companhias nacionais venderem os seus produtos:  TMall e o TMall Global. O primeiro é destinado «a empresas que já têm negócios e armazéns no país e muitas vezes equipa no local»; o segundo é para aquelas que «enviam os produtos de fora, por exemplo de centros de distribuição que não estão na China».

A responsável revelou ainda alguns factores-chave para o sucesso, como por exemplo «avaliar a concorrência, ter foco apenas em dois ou três produtos e escolher o parceiro certo que entenda o modelo de negócio e ajude a fazer a página no site» já que está tudo em chinês, mas também nas «vendas, pós-venda e apoio ao cliente».

São várias as marcas já presentes na Alibaba: Parfois, CR7 Underwear, Mistolin, Delta Cafés, Prozis, Cutipol e Renova – algumas delas foram ao Museu do Oriente dar alguns conselhos sobre como fazer negócio na China. Rui Miguel Nabeiro, CEO da Delta Cafés; Frederico Pulido director de comércio electrónico da Parfois e Paulo Trezentos, CEO e co-fundador da Aptoide explicaram como funcionam os marketplaces sendo que a loja de apps deu o seu contributo mais na vertente do uso dos serviços de cloud da Alibaba.

Os três responsáveis deixaram vários conselhos, entre ele, a «importância da escolha do parceiro chinês» com o qual se vai trabalhar e os cuidados a ter na descrição dos artigos, «o consumidor chinês é mais exigente nos detalhes dos produtos do que o europeu e é preciso ter o máximo de informação», indicou o executivo da Parfois. Paulo Trezentos deixou o aviso que é preciso ser «persistente» e «ter uma estratégia de longo prazo» porque na China os «negócios não são tão imediatos».

Alipay chega a Portugal 

A plataforma digital de pagamentos da Alibaba já está disponível em Portugal através de uma parceria com o Millenium BCP. O meio de pagamento preferido dos chineses quer ser opção em Portugal para os cerca de 260 mil turistas chineses que nos visitam, número que se espera que aumente nos próximos anos.

A primeira loja a ter esta nova forma de pagamentos é a Worten. Além da cadeia da Sonae, também os restaurantes de José Avillez, o Alma, o Mezzogiorno, o Yakuza, o Palácio Chiado, o Topo, o Tágide e as lojas da Pandora, Olhar de Prata, Claus Porto, Confiança são pioneiras na aceitação da nova forma de pagamento.

Cloud é motor da digitalização 

Kevin Liu, manager do Sul da Europa da Alibaba Cloud explicou que o fornecedor de serviços na nuvem serve de «base a todo o negócio» do grupo.

«A nossa tecnologia serve, não só o nosso ecossistema, como os nossos clientes, empresas, e startups, é uma fonte de inovação», alertou. A Alibabab Cloud é um dos principais fornecedores de serviços de nuvem pública em todo o mundo e ‘número um’ na China.

A nuvem do grupo chinês chega já a dezanove regiões e tem quatro data centers na EMEA (Alemanha, Reino Unido, França e Dubai).

A estratégia da empresa para a Europa é simples: estar em compliance com as leis europeias, nomeadamente o RGPD, ser uma plataforma multi-cloud  mas acima de tudo ser um facilitador da digitalização das empresas a nível global. Kevin Liu acrescentou que a empresa quer ser uma peça na vida das organizações, mas também fornecer conhecimento: «Queremos ser vossos parceiros na transformação digital. Temos uma abordagem de negócio vertical em que queremos fornecer tecnologia mas também o know-how da indústria para desenvolverem os vossos negócios».

Acordo AICEP 

No final do evento foi assinado um acordo de desenvolvimento estratégico entre a AICEP e o Alibaba Group. Luís Castro Henriques, presidente da associação nacional confessou que este é um «passo importante para mais empresas exportarem online» e atingir «50% do PIB em exportações».

O entendimento prevê a divulgação da Alibaba Group como «uma porta para a China» e o apoio às empresas que usarem os marketplaces da companhia chinesa, quer através de parcerias, quer de formações específicas para empresários.

 

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