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«O digital engrandece a nossa vida»

Alexandre Nilo da Fonseca

É um nome incontornável do panorama TIC nacional. Alexandre Nilo da Fonseca, director do MUDA – Movimento pela Utilização Digital Activa, tem por ambição dar aos portugueses mais competências digitais.

Desde sempre me lembro do ver o seu nome ligado ao sector das Tecnologias de Informação. É CEO e fundador da A2D Consulting, presidente da ACEPI, membro do Board of Directors da Commerce Europe e também da Internacional News Media Association. Computerland, Compaq Computers, TV Cabo Multimedia, SportTV, Diário de Noticias, TSF, Jornal de Noticias e Portugal Telecom, Claranet foram apenas alguns dos projectos que já abraçou profissionalmente, para além de ser docente. Agora, assume a direcção do MUDA, Movimento pela Utilização Digital Ativa. Como gosta de ser definido?

Como uma pessoa que continua muito empenhada em fazer com que Portugal tenha a capacidade de usar o digital a favor das suas empresas, dos seus cidadãos e, obviamente, do Estado. Há uma preocupação com que o digital seja aproveitado ao seu máximo potencial. Mas nunca perdi de vista que por trás destas coisas estão pessoas. E acho que isso me define como profissional.

 

É correcto dizer que o MUDA é um projecto mais ligado ao desenvolvimento do digital na sociedade enquanto, por exemplo, a ACEPI é mais, digamos, ao desenvolvimento do ponto de vista económico?

Claramente. O MUDA tem como ambição tornar o país mais inclusivo, mais participativo. E hoje sabemos que o digital liberta uma série de amarras nas pessoas que o utilizam. Se, por um lado, dizemos que temos um telemóvel que nos tira alguma capacidade de interagir, o mesmo faz-nos ganhar tempo. Se não tivermos de ir ao banco, à repartição das finanças, pagar a conta da luz… Posso utilizar esse tempo para estar com os meus filhos, para ir ao cinema. Há um conjunto de benefícios ligados ao digital que nós já estamos tão habituados a ter que os damos como garantidos. Mas temos de ter consciência de que nem toda a população está a beneficiar de termos mais fontes de informação, mais tempo, mais opções de escolha… Hoje, podemos escolher um produto de qualquer geografia. Podemos comunicar em tempo real de e em qualquer parte do mundo. No meu tempo, brincávamos na rua, é verdade. Mas hoje, os meus filhos brincam no mundo.

 

O impacto nos mais velhos também está a ser visível?

Sim. Aí, o digital pode mesmo funcionar como uma ferramenta de aproximação. Os mais idosos tendem a ser pessoas mais isoladas, que perderam família ou estão longe. O facto de haver redes sociais, ferramentas de comunicação, como o Skype ou o WhatsApp, são absolutamente inclusivas. E nós, que as utilizamos todos os dias, não temos noção disso. Ou, pelo menos, esquecemo-nos.

 

«Tenho a convicção de que ao trabalharmos em conjunto somos muito mais fortes, para além de ser muito mais interessante quando os processos são colaborativos.»

 

Há vinte anos, tinha alguma noção de que o mundo, o digital, ia caminhar neste sentido?

Estou nisto desde 1988, quando a realidade era essencialmente um computador rudimentar nas secretárias de trabalho. Em casa não havia, claro. Mas em dez anos, já todos tínhamos computadores e estávamos ligados à Internet. Na área dos media, os primeiros projectos acontecem entre 1995 e 2000. As compras online são igualmente dessa altura. Ou seja, a digitalização da sociedade começou a acontecer quando eu já era um profissional. Daí, tive desde sempre a noção de que todo este processo iria ser muito importante e teria muito impacto na sociedade. O digital engrandece a nossa vida.

 

Mas sempre optou por seguir muito a via, digamos, “associativa”?

Tenho a convicção de que ao trabalharmos em conjunto somos muito mais fortes, para além de ser muito mais interessante quando os processos são colaborativos. Por isso, quando trinta organizações, como as que constituem o MUDA – como os maiores bancos, as maiores seguradoras, empresa da área de saúde, do retalho, utilities… – se juntam para mudar a nossa sociedade e trazer a todos os portugueses todos os benefícios do digital, isso é muito mais forte do que a soma dos esforços isolados de cada uma destas entidades. Porque todas já faziam e fazem iniciativas para tornar os seus cientes mais digitais. O que o MUDA está a fazer é criar mais condições para que, em conjunto, possamos ser muito mais fortes e muito mais capazes. E mais rápidos. Não é só mudar, mas mudar mais depressa.

 

«O que o MUDA está a fazer é criar mais condições para que, em conjunto, possamos ser muito mais fortes e muito mais capazes. E mais rápidos. Não é só mudar, mas mudar mais depressa.»

 

Qual é a ambição do MUDA?

Claramente passar dos 26% que hoje não utiliza a internet para 15% até ao fim de 2020. Ou seja, reduzir em cerca de um milhão as pessoas que hoje não são digitais, para passarem a ter algum tipo de utilização digital. Mas ainda temos outra ambição. Garantir que os cerca de 30% que têm competências digitais aumente para 50%. Que mais ou menos dois milhões de pessoas comecem a fazer coisas mais sofisticadas. Porque as estatísticas são úteis, claro, mas às vezes enganam. Quando dizemos que 70% usa da população utiliza a Internet é verdade, mas destes, 40%, cerca de quatro milhões, faz uma utilização muito básica: email, redes sociais e pouco mais. Aqui temos bastante espaço para melhorar, até porque temos óptimas infra-estruturas digitais. Ainda não temos sofisticação, mas temos vontade.

 

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Jornalista especializada em TIC desde 2000, é fã incondicional de todo o tipo de super-heróis e da saga Star Wars. É apaixonada pelo impacto que as tecnologias têm nas empresas.