O Global Talent Barometer 2026 do ManpowerGroup revela que, apesar dos elevados níveis de confiança, desenvolvimento e empregabilidade, os profissionais de TI apresentam também dos níveis mais elevados de stress, burnout e menor fidelização às empresas.
O estudo, feito com base em entrevistas a 13918 trabalhadores de 19 países, analisa doze indicadores em três categorias: índice de Bem-Estar, índice de Satisfação no Trabalho e índice de Confiança. A pontuação global foi de de 67%, 1 ponto percentual abaixo do registado no ano passado.
No caso do primeiro índice, o sector de TI situa-se nos 72%, com 86% dos profissionais a afirmarem sentir significado e propósito no seu trabalho, enquanto 82% assumem estar alinhados com a visão e valores da empresa, o valor mais elevado entre todas as áreas de actividade analisadas. Também o equilíbrio vida profissional e pessoal regista os melhores resultados comparativamente a outros sectores (80%).
Ainda assim, o sector tecnológico continua a destacar-se pelos elevados níveis de pressão emocional. Mais de metade dos profissionais (53%) reporta níveis elevados de stress no dia-a-dia, posicionando as TI como a segunda área de actividade mais pressionada, apenas atrás de Energia & Utilities.
Os níveis de burnout são igualmente os mais elevados entre todos os sectores analisados: 70% dos trabalhadores afirmam sentir ou já ter sentido burnout recentemente. Entre as principais causas identificadas estão os elevados níveis de stress (29%), a carga de trabalho e prazos apertados ou irrealistas (28%) e as longas horas de trabalho (24%).
O Índice de Satisfação no Trabalho posiciona-se nos 62%, com 78% dos profissionais a afirmarem confiar no manager e sentir que este se preocupa com os seus interesses de carreira, representando o valor mais elevado entre todos os sectores. Contudo, apenas 44% dizem estar satisfeitos com o trabalho actual e sem intenção de mudar de empresa nos próximos seis meses, o que posiciona o setor entre os que apresentam níveis mais baixos de satisfação e fidelização.
Em simultâneo, 72% acreditam que conseguiriam encontrar outro emprego nos próximos seis meses, posicionando as TI como o sector mais optimista neste aspecto, 10 pontos percentuais acima da média. Paralelamente, 40% dos profissionais afirmam não sentir confiança no emprego actual e receiam perder o trabalho nos próximos seis meses.
Segundo ao ManpowerGroup, «resultados revelam um desafio critico para as organizações» pois num «sector onde a procura por talento especializado continua acima da oferta, profissionais altamente qualificados mantêm-se confiantes na sua empregabilidade e, por isso, tornam-se também mais exigentes relativamente às condições de trabalho, às oportunidades de desenvolvimento e à sustentabilidade das suas carreiras.».
Por último, o Índice de Confiança do sector de TI fixa-se nos 84%, mantendo-se estável face a 2025 e posicionando este como um dos sectores mais preparados para responder à transformação do mercado de trabalho. Os profissionais de TI continuam a demonstrar elevados níveis de confiança nas suas competências actuais e no desenvolvimento da sua carreira, com a maioria (91%) a afirmar sentir confiança nas suas competências para desempenhar a função actual. Por outro lado, 85% reportam ter oportunidades para desenvolver novas competências e adquirir experiência para atingir os seus objetivos profissionais, sendo o valor mais elevado entre todos os segmentos analisados.
Também ao nível da tecnologia e da IA, as Tecnologias de Informação continuam a liderar. 83% dos trabalhadores afirmam sentir-se confiantes nas suas competências tecnológicas e na utilização de tecnologia para desempenhar as suas funções, posicionando o sector 11 pontos percentuais acima da média global. Ainda assim, este indicador registou uma descida de 5 pontos percentuais face ao ano passado, evidenciando que mesmo os sectores mais preparados sentem o impacto da rápida aceleração tecnológica.
Paralelamente, 75% dos profissionais acreditam existir oportunidades de promoção e mobilidade dentro da organização, o valor mais elevado entre todos os sectores e que se encontra 13 pontos percentuais acima da média global, reforçando a percepção de que as empresas de TI continuam a oferecer percursos de desenvolvimento profissional muito acima da média.
Quando estes resultados são analisados em conjunto com os indicadores de satisfação e fidelização, emerge uma conclusão relevante: ser o sector mais preparado para trabalhar com tecnologia e Inteligência Artificial já não é suficiente para garantir o compromisso dos profissionais. Os dados mostram que elevados níveis de confiança, oportunidades de desenvolvimento e empregabilidade coexistem com uma menor intenção de permanência nas organizações e com elevados níveis de stress e burnout.
Nuno Ferro, Brand Leader Experis, explica que «num mercado em forte transformação, a pressão sobre os profissionais de TI está a aumentar, tornando as carreiras mais exigentes e impactando os níveis de satisfação e compromisso com as organizações. O desafio para as lideranças já não é apenas gerir performance, mas encontrar um equilíbrio entre os objectivos de negócio e a pressão exercida sobre as equipas, seja ao nível das cargas de trabalho, horários ou pontos de fricção que geram desgaste e frustração. Este sector é hoje o exemplo mais claro de que confiança na tecnologia e na IA, por si só, já não chegam para fidelizar talento. O desafio passa por criar experiências de trabalho mais sustentáveis e que reforcem o compromisso dos trabalhadores».









