Reportagem

Building The Future: a IA «está a tornar-se um indicador económico»

A edição de 2026 do evento anual da Microsoft centrou-se na inteligência artificial e na forma como esta pode ser usada para aumentar a competitividade nacional. A empresa anunciou que o seu ecossistema já gerou 7,3 mil milhões de euros de valor económico para Portugal.

Andrés Ortolá @ Microsoft

No Pavilhão Carlos Lopes, Bernardo Correia (Secretário de Estado para a Digitalização) explicou que «as tecnologias que impulsionam a economia já existem hoje» e que «o verdadeiro desafio é a rapidez com que os países e as organizações são capazes de adoptá-la, ampliá-la e governá-la de forma responsável». Além disso, salientou que a produtividade nacional «actual é de apenas cerca de 75% da média europeia» e que a «IA abre novas oportunidades para o País aumentar a produtividade».

O responsável disse que esta tecnologia «pode contribuir para o crescimento económico em até 2,7 pontos percentuais», ou seja, «a IA pode ser um dos principais motores da convergência económica de Portugal com a Europa, mas para o conseguir é necessária uma visão estratégica, investimento e capacidade de execução». Bernardo Correia assegurou que o Governo está a fazer o que é necessário para alcançar essa aproximação e revelou que a estratégia passa por «primeiro simplificar e depois digitalizar».

Assim, a Agenda Nacional de IA está assente em quatro pilares: infraestrutura, personificada pela «candidatura ibérica à Gigafactory Europeia de IA e pelo investimento da Microsoft em Sines»; a adopção, em que «o Governo procura liderar pelo exemplo»; talento; e responsabilidade e ética. O Secretário de Estado apelou às empresas portuguesas que colaborem «para investir em IA», «competências digitais» e criar inovação para aumentar a competitividade do País.

O ecossistema Microsoft
O director-geral da Microsoft Portugal, Andrés Ortolá, referiu que este foi o ano em que a IA passou da «fase de experimentação para ter um impacto real», com «centenas de empresas a desenvolverem software que realmente cria valor». O responsável acrescentou que «o que realmente importa não é apenas a forma como a IA é implementada, mas sim como é utilizada de forma estratégica, responsável e com propósito». Andrés Ortolá acrescentou que «68% das empresas no mundo» já usam a tecnologia nas suas «operações diárias» e que os pioneiros na adopção já «conseguiram integrar a IA nos seus processos empresariais» e só assim o valor da IA «começa a tornar-se visível» e «acelera a inovação».

A inteligência artificial «já não é apenas uma funcionalidade, está a tornar-se um indicador económico» em que o «desempenho vai ser avaliado pela eficiência com que a energia e o investimento se transformam em tokens», acrescentou. É por isso que o director-geral disse acreditar que «a próxima onda de inovação não virá de modelos maiores, mas de uma maior eficiência» e é esse o motivo pelo qual a Microsoft criou «uma rede de data centres por todo o mundo», que «funcionam a 100% com energia sustentável» e permitem «realizar pré-treino e pós-treino de inferência em qualquer lugar, onde quer que os clientes precisem».

Andrés Ortolá referiu o investimento da empresa em Sines, que «coloca Portugal no mapa mundial da IA», e anunciou os dados do mais recente estudo do impacto do ecossistema Microsoft na economia portuguesa: «A comunidade já criou 7,3 mil milhões de euros de valor económico para o País. É um crescimento impressionante de 48%. Mas não é só isso, os nossos clientes estão a conseguir um retorno mais elevado, chegando a 9,6 euros de valor criado por cada euro investido em tecnologia e serviços da Microsoft».

Por último, o director-geral referiu que o ecossistema da tecnológica é responsável pela criação de «35 mil postos de trabalho», de forma directa e indirecta, e destacou que a empresa quer ajudar a «capacitar todas as pessoas em todas as organizações em Portugal a alcançar mais».

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