Empreendedorismo

Vodafone liga inovação nacional às empresas

O Vodafone Innovation Day foi o culminar do programa de aceleração promovido pela operadora em parceria com a Beta-i. No evento, foi possível conhecer as startups participantes, com destaque para a Fibersight e a AQL Engineering.

Henrique Fonseca © Vodafone

O Open Innovation 2.0 terminou com um dia para «celebrar a tecnologia, mas também a criatividade e a colaboração», como explicou Henrique Fonseca, executive board member – Vodafone business unit da Vodafone Portugal. Na sede da empresa, em Lisboa, estiveram reunidos os participantes e parceiros do programa, onde foram revelados os resultados desta segunda edição, que contou com quase trinta startups.

A iniciativa faz parte do Vodafone Innovation Hub, que inclui uma incubadora e um test bed e que, segundo o responsável, foi «concebido para acelerar a co-criação, a experimentação e o desenvolvimento de soluções que possam responder a desafios empresariais reais» e que «é uma parte fundamental da estratégia de inovação» da empresa. Por outro lado, Martyna Dudkiewicz Pereira, senior innovation consultant da Beta-i, realçou que o programa Open Innovation tem como objectivo «ligar os pontos entre indústrias, tecnologias e pessoas para criar novas oportunidades» e salientou que a Vodafone «tem trabalhado com muitas startups, ajudando-as a evoluir e a criar projectos melhores com base em tecnologias como 5G, cloud, edge computing, IA, IoT, entre outras».

Além disso, João Ribas, responsável pelo Vodafone Innovation Hub, avançou que nos últimos dois anos foram realizados «cerca de cinquenta projectos-piloto» e que desses surgiram «vinte e cinco oportunidades de negócio». No final do evento, Marisa Gomes (Vodafone innovation manager) assegurou que a empresa «vai continuar a promover a inovação» e a «criar pontes entre startups e os desafios do mercado».

Um caso de sucesso
A Fibersight foi uma startup em destaque no Vodafone Innovation Day. Tiago Neves, fundador e CEO da empresa, revelou que no seu core está a «inovação para a sustentabilidade». Assim, a tecnológica desenvolveu sensores de fibra óptica para monitorização ambiental precisa, tendo começado pelo «problema da água», já que «as fugas que existem na rede pública de distribuição na Europa causam perdas superiores a 80 mil milhões de euros por ano». A Fibersight consegue «identificar onde está uma fuga em apenas 30 segundos» e «com uma precisão de um metro», sendo que a Vodafone foi essencial no projecto, já que «deu acesso à fibra instalada em Coimbra de forma a testar o sistema».

O empreendedor falou ainda de um novo caso de uso que surgiu com o programa de aceleração: detectar incêndios em áreas rurais. «Fizemos algumas medições de temperatura ao lado do fogo e conseguíamos distinguir metro a metro com uma precisão inferior a 0,1 graus», acrescentou. Tiago Neves indicou que «a maioria das fibras que estão instaladas são apenas usadas como backup» e que podem ser utilizadas «para proteger o que mais importa, o meio ambiente». Além disso, referiu que o programa permitiu já parcerias com a «Câmara Municipal de Matosinhos para detectar fugas de água, com a Vodafone para monitorizar o ambiente no data center de Alfragide e com a ANA, nos aeroportos de Lisboa e Porto, para monitorizar a infraestrutura».

Novas possibilidades
A AQL Engineering foi a outra startup que apresentou a sua solução ligada à economia azul e que permite detectar doenças de forma precoce na aquacultura. Andreina Cardoso, CEO e co-fundadora, disse que construíram um sistema, designado SISMEM, que «monitoriza através de IoT, computer vision e algoritmos de machine learning patologias em peixes, algas e outras espécies».

A Vodafone ajudou esta startup com a «conectividade fiável», «extensa cobertura e baixa latência» através da rede 5G, sublinhou Alberto Moreira, CTO e co-fundador da AQL Engineering. Além disso, a operadora, através da mentoria fornecida, foi essencial para a descoberta de novos casos de uso, como realçou Andreina Cardoso: «Começámos no sector da economia azul e queremos permanecer, mas já estamos a trabalhar na indústria cerâmica e a desenvolver uma demo para iniciar um piloto com a Vista Alegre. Também temos projectos com a indústria da cortiça, na saúde e na defesa».

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