Empreendedorismo

Mowly quer ser o parceiro tecnológico dos profissionais de Direito

A startup nacional criou uma plataforma de IA dedicada aos profissionais jurídicos que os quer ajudar a serem mais eficientes. Presente em Portugal, a Mowly já tem utilizadores em Espanha e projectos-piloto no Brasil e em Macau.

© Mowly

Fundada por Miguel Fidalgo e Francisco Costa, a Mowly quer «ser o parceiro tecnológico que ajuda os profissionais a adaptarem-se à nova era do trabalho jurídico», explicam os empreendedores. A startup nasceu de uma «necessidade crítica do universo jurídico», ou seja, «a pesquisa de jurisprudência». Inicialmente, «foi desenvolvida para apoiar seguradoras na resolução de casos mais complexos e, após o sucesso inicial, o motor de pesquisa foi alargado às restantes áreas do Direito». Os fundadores perceberam «que o mercado jurídico já dispunha de algumas ferramentas, mas que a maioria ou não apresentava a qualidade necessária ou estava completamente desalinhada da realidade e das necessidades práticas dos advogados».

A Mowly disponibiliza, assim, «uma plataforma de IA jurídica construída sobre uma arquitectura proprietária de processamento de dados», com «legislação modelada de forma hierárquica, jurisprudência processada com semântica qualificada e integração do chamado Direito vivo das autoridades administrativas, incluindo pareceres da Autoridade Tributária, instruções do Banco de Portugal, deliberações da CMVM e recomendações do CFE», salientam Miguel Fidalgo e Francisco Costa.

Uma plataforma completa
A plataforma chega ao utilizador em três formatos: uma web app, add-ins para Word/Outlook e uma extensão para o browser. Além disso, tem um «sistema multiagente, que decompõe cada questão em agentes especializados (qualificação semântica, retrieval estrutural, jurisprudência com consciência temporal e calibração explícita daquilo que ficou de fora) e devolve ao advogado uma resposta em que o raciocínio e as fontes utilizadas podem ser consultados com um simples clique», revelam os fundadores da startup.

Os responsáveis esclarecem que a maioria das soluções de legal AI são «criadas sobre legislação fragmentada e mecanismos de retrieval baseados em similaridade textual», mas que a Mowly opera numa «arquitectura de dados estruturados, com integração do Direito vivo como camada estruturada e não apenas como bibliografia de apoio, cruzamento temporal sistemático entre a versão da lei em vigor à data dos factos e a versão actual, e calibração explícita das omissões em cada resposta». Além disso, está em conformidade nativa com o EU AI Act, inclui «calculadora de prazos com sistema de notificações» e «ferramentas inteligentes de redacção documental e sistemas de extracção massiva de documentos».

De Portugal para o mundo
A Mowly conta com «nove pessoas, distribuídas pelas áreas de tecnologia, inteligência artificial, Direito e cibersegurança», mas conta também com «uma equipa multidisciplinar de profissionais jurídicos e tecnológicos que presta suporte aos utilizadores da plataforma». Dado que «estes perfis são difíceis de encontrar», a startup apostou na capacitação interna, indicam Miguel Fidalgo e Francisco Costa: «Desenvolvemos um programa interno de formação destinado a advogados, através do qual ensinamos os fundamentos da IA para que possam, em conjunto com o seu conhecimento jurídico, ajudar os nossos utilizadores a responder aos desafios do seu dia a dia».

Os responsáveis avançam que a plataforma está disponível em «Portugal, já com utilizadores em Espanha e pilotos em curso no Brasil e em Macau», sendo que a escolha destes mercados se deveu à sua «tradição de Direito civilista, ao peso operacional do chamado Direito vivo nestes regimes e à maturidade do mercado de legal Tech». A ambição da Mowly é tornar-se a «infraestrutura de referência para o exercício do Direito assistido por IA no espaço jurídico de língua portuguesa e em Espanha e, a partir daí, expandir-se progressivamente para outras jurisdições civilistas, sem perder a profundidade e o rigor que os caracterizam».

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