Os Portos de Lisboa e de Setúbal anunciaram um reforço da aposta na transformação digital das suas operações, que corresponde ao aumento de competências dos profissionais, à integração de IA e à construção de um novo data center dedicado. O projecto ligado à inteligência artificial, que equivale a um investimento de 52 mil euros, inclui a formação de 35 colaboradores de cada um dos portos na ferramenta de IA generativa Copilot da Microsoft e no desenvolvimento de um agente de IA para apoio aos utilizadores dos serviços online dos portos e das redes sociais.
Esta é a primeira fase da iniciativa, que deverá estar concluída em Junho de 2026. A segunda etapa é a aplicação de IA «à automatização, agilização e optimização de procedimentos internos críticos», como a «análise e processamento de pedidos de ocupações dominiais e lançamento de concursos públicos, registo de entradas e facturas, entre outros», revelam as instituições.
Os Portos de Lisboa e de Setúbal esclarecem à businessIT que esperam «reforçar de forma consistente e sustentada a eficiência operacional e a resiliência tecnológica» ao «automatizar processos administrativos e operacionais, acelerar a análise de informação e apoiar uma tomada de decisão mais rápida e baseada em dados, libertando as equipas para funções de maior valor acrescentado». Segundo as entidades, «o assistente de IA e os agentes de apoio digital vão potenciar a produtividade diária dos colaboradores, nomeadamente na redacção de relatórios, tratamento de comunicações, consulta de procedimentos e gestão de agendas». Por outro lado, a automatização de procedimentos críticos com IA «permitirá reduzir tempos de resposta, minimizar erros manuais e aumentar a consistência e fiabilidade dos processos», avançam.
Uma abordagem híbrida
Outra das áreas de aposta vai ser a construção de um data center, cuja conclusão deve ocorrer no segundo semestre de 2026 e que, de acordo com os Portos de Lisboa e de Setúbal, «é uma peça-chave da arquitectura tecnológica híbrida» das instituições e «foi concebido para funcionar de forma integrada para ambos os portos». Com um investimento previsto de 700 mil euros, o centro de dados surge para «garantir capacidade de crescimento, elevada fiabilidade operacional e suporte às novas soluções digitais, incluindo iniciativas de IA e automação, num contexto portuário altamente exigente».
As entidades destacam que «num sector em que a continuidade de serviço, a baixa latência e a segurança dos dados operacionais são críticas, a existência de uma infraestrutura própria, moderna e redundante constitui um factor estratégico de soberania tecnológica e de competitividade operacional». Assim, o data center vai possibilitar «optimizar tempos de resposta em operações sensíveis, assegurar resiliência em cenários de falha e reforçar o controlo sobre requisitos específicos de conformidade, segurança e protecção de informação». As instituições garantem que o investimento «não contraria uma estratégia cloud-first, mas antes complementa-a, adoptando um modelo híbrido que combina o melhor da cloud com uma infraestrutura local ajustada às necessidades específicas dos portos».
Em conjunto, «estas iniciativas contribuem para um ecossistema portuário mais moderno, digital e competitivo, alinhado com a estratégia Portos 5+, em particular no eixo da digitalização, automação e melhoria contínua do serviço ao cliente», concluem os Portos de Lisboa e de Setúbal.









