Reportagem

Damia Group: salários no sector tecnológico continuam a crescer

O Damia Group Portugal apresentou o estudo Tech Salary Benchmark 2025 onde revelou que as remunerações dos profissionais de tecnologia aumentaram no ano passado e que há uma crescente importância dos benefícios para atrair e reter talento.

Cláudio Menezes © Hugo Amaral/Damia Group Portugal

A empresa de recrutamento de talento tecnológico apresentou a mais recente edição do seu estudo anual no Factory Lisbon (Beato). Cláudio Menezes, CEO do Damia Group Portugal, explicou que tudo começou há «sete anos» quando idealizou com Hélio Costa (partner e head of strategy & operations) arranjar «novas formas de recrutamento na área tecnológica» pois a empresa não estava «satisfeita com as existentes». Assim, colocaram mãos à obra e nasceu o Damia Group.

Feito em parceria com a Sixt, o relatório teve, este ano, a designação ‘HTTP: Hiring Tech Talent in Portugal’ e pretende ser uma «ferramenta para organizações e profissionais do sector». Ângela Lopes, IT recruiter da empresa nacional, salientou que o objectivo foi «fornecer informações às empresas para que sejam mais competitivas» e, por outro lado, dar «informações aos candidatos para que possam navegar pelas oportunidades com mais confiança». Esta responsável salientou que, em termos macro, 2024 foi um ano de «instabilidade geopolítica», mas que, em Portugal, «continuou a atrair investimentos significativos de tech hubs». A responsável acrescentou ainda que o relatório foi feito com dados de «sete anos» de cerca de cinco mil candidatos, «com base nas expectativas salariais das entrevistas feitas e não em inquéritos».

Python continua a liderar
Os resultados do HTTP demonstram um mercado competitivo em que as tendências salariais são de um crescimento generalizado. Os engenheiros seniores de frontend continuam a ter remunerações superiores aos de backend, com uma média de mais de 67 mil euros e a crescerem mais de 11%, em 2024, em relação ao ano passado. Os engenheiros de fullstack viram os seus rendimentos crescer 4,8% em relação a 2023, com uma média superior a 59 mil euros/ano.

Em termos de tecnologias, o Python (backend e fullstack) e as frameworks como React (frontend) continuam a liderar as preferências do mercado. Alexandra Teixeira, IT recruiter do Damia Group Portugal, salientou que os conhecimentos de Python são uma mais-valia, porque esta é a linguagem de programação «mais utilizada actualmente para projectos de IA/machine learning» e que há um «aumento exponencial na procura por especialistas em IA, nomeadamente de NLP (processamento de linguagem natural) e de engenheiros de LLM».

Além disso, Alexandra Teixeira partilhou uma das surpresas do estudo: «O PHP ainda não morreu» e há procura por talento com conhecimentos dessa linguagem. No que diz respeito a DevOps e site reliability engineering, os salários dos profissionais seniores chegam aos 71 mil euros anuais, com um aumento de mais de 7%. Neste campo, as competências em AWS são as mais valorizadas seguidas de Azure e Google Cloud Platform.

Benefícios cada vez mais importantes
Além do «híbrido ser o novo normal», já que o modelo full-remote está a perder tracção e há algumas tecnológicas a adoptar um regresso ao escritório, Alexandra Teixeira lembrou que os candidatos «querem ter liberdade de escolha do número de dias que têm de ir ao escritório» e que isto «influencia a decisão de optar por uma empresa».

Ao nível dos benefícios, os mais valorizados para atrair e reter os talentos são as semanas de trabalho reduzidas, os seguros de saúde, a flexibilidade laboral e os programas de formação contínua. Ângela Lopes disse ainda que os profissionais «valorizam e procuram outras coisas, além do salário». Assim, as empresas podem q«uerer ser mais flexíveis no que oferecem, não só em termos de modelo de trabalho, mas também em termos de benefícios».

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