Reportagem

Startups nacionais mostram inovação na Web Summit

A quarta edição da Web Summit em território nacional trouxe poucas novidades, mas voltou a mostrar que a inovação e o empreendedorismo continuam de vento em popa no mundo e em Portugal.

Sam Barnes/Web Summit

A maior conferência de empreendedorismo da Europa teve, este ano, 70 469 participantes de 163 países e a mais alta participação feminina de sempre: 46,3% de mulheres. A Web Summit contou ainda com um recorde de startups, 2150, das quais duzentas eram portuguesas. Estas empresas nacionais estiveram ainda em destaque no novo palco Startup Showcase, em que trinta mostraram as suas soluções, e onze participaram no PITCH, uma competição com as melhores startups em início de actividade (early-stage). Além disso, 2019, foi o ano com «a mais alta participação de investidores» disse Paddy Cosgrave, o co-fundador da Web Summit, numa conferência de imprensa realizada no segundo dia do evento. A organização confirmou que estiveram presentes 1221 investidores.

Já ao nível da conectividade e de acordo com a Altice Portugal foram estabelecidas 9,5 milhões ligações nas redes Wi-Fi, o que correspondeu a mais 40% que em 2018, através de mais de 68 mil dispositivos únicos, que originaram 92 TB de tráfego de dados, um crescimento de 5% em relação ao ano passado.

Depois destes números que mostram o crescimento da Web Summit, fomos tentar perceber como é isso se reflecte no País e no ecossistema nacional de startups.



Impacto económico é significativo?
Um dos argumentos usados pelo Governo e pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) para apoiar a realização do evento tecnológico é o impacto económico, o que é sustentado pelo estudo ‘Impacto Económico da Web Summit 2016-2028’ do GEE – Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia.

João Cerejeira, economista e professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, que fez o estudo, diz que «os resultados precisam de ser actualizados» já que a análise foi baseada em informação de «apenas duas edições».

De acordo com cenário mais conservador do relatório, o contributo para o PIB, em 2019, será de 138 milhões. Contudo, o ministro da economia Pedro Siza Vieira e o Governo preferem usar o cenário mais optimista que indica que impacto é de «180 milhões de euros».

Se considerarmos os onze milhões ao ano pagos à organização pelo Estado, dos quais três milhões são da responsabilidade da autarquia Lisboeta, a permanência da conferência em Portugal é claramente uma mais-valia. Mas a verdade poderá ser outra, já que, só este ano, a CML teve de gastar mais 4,7 milhões de euros em estruturas temporárias porque as «as obras de expansão do recinto não estavam implementadas», explicou uma fonte oficial do município à Lusa. Além disso, as obras das infraestruturas para o crescimento do evento vão ficar a cargo da autarquia e ainda não se sabe ao certo quando vai ser gasto nestas edificações e melhorias.

A verdade que é que há uma grande falta de informação, quer da parte da organização, quer do Governo, sobre o real significado da presença da conferência no País.

Ecossistema de startups já não é incipiente
O ecossistema nacional de startups tem hoje uma vitalidade importante, à qual a Web Summit não é alheia, mas será esta «febre» é saudável? Stephan Morais, fundador e managing general partner do Indico Capital Partners, revela que é preciso olhar para este tipo de situação «de forma moderada e optimista» mas «sem entrar em histerias». Portugal está no «top 10 dos países europeus mais desenvolvidos em termos de qualidade e profundidade do ecossistema», mas «não se deve dar uma importância excessiva um sector pequeno, que tem pouco impacto económico no País»; no entanto, Stephan Morais refere que o mesmo é importante na «transformação cultural». O responsável explica que Portugal tem uma grande mais-valia: «Temos um mercado nacional pequeno, o que impele as startups a serem internacionais, isso é algo que devemos aproveitar».

Nils Henning, co-fundador e CEO da Casafari e que já criou diversas startups de sucesso, acredita que o ecossistema português «está a crescer» e diz que está «muito satisfeito» por há dois anos ter vindo para o País e «fazer parte deste movimento». Uma opinião semelhante tem Pedro Ribeiro Santos, partner da Armilar Venture Partners, que salienta o contributo deste fundo de investimento no sucesso das startups nacionais: «Temos assistido com agrado ao crescimento [do ecossistema], no qual julgamos que temos desempenhado um papel importante ao apoiar algumas das mais bem-sucedidas startups portuguesas» e acrescenta que se está «claramente a convergir para o nível de maturidade de outros países europeus. «Prova disso é o elevado nível de interesse de investidores de renome internacional em virem conhecer o que por cá se passa e a sua disponibilidade para investir em startups portuguesas – o que era impensável ainda há não muito tempo atrás», acrescenta.

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